sábado, 20 de junho de 2009

Eu sei

Não diria desse texto uma confissão
Não diria desse texto algo meu
Mas diria desse texto apenas uma explicação..

Minhas palavras me assombram
Não as palavras faladas
Porque dessas me esqueço fácil
Mas as palavras escritas
Daqui um ano
Daqui dois
Daqui dez
Quando olhar para trás
Quando ver registros
Registros são como provas
Eu verei escritos de outra pessoa
Outra pessoa que terá morrido
No passar das horas
Dos dias
Das semanas
Dos anos
Estarei assombrado então
Diante de mim mesmo
Como uma imagem retrogáda em um espelho
Pois nesse exato m0mento
Sou puro desejo de mudança
De tornar me outro
Outro não tão bom
Outro com menos amor
Outro mais reticente
Outro mais frio
E no esforço por tornar me outro
Tornarei me
E o pior de tudo
É que já sei do arrependimento posterior
Então ficam gravadas essas palavras
Para o dia que vira daqui muitos dias
Para o dia em que poemas serão frescuras
Para o dia em que tiver perdido tudo o que me é bom
E ter aprimorado tudo o que me é usual
Prático, objetivo e comercial
E ai eu vou ler e dizer
Nossa, esse era eu
E como a modestia vai embora
Vem a auto enganação
Vem o prestigio dos enganados
E prestigiado por idiotas
Direi..
Eu já sabia! Como eu tenho visão..
Eu ja sabia!

3 comentários:

Quem é ela? disse...

"Não diria desse texto uma confissão
Não diria desse texto algo meu
Mas diria desse texto apenas uma explicação"

Gostei disso.

Marco H. Strauss disse...

Palavras mais que verdadeiras, concordo muito. Aquilo que escrevemos, que registramos, isso sim nos assombrará num futuro incerto. To lendo teus poemas agora, gostando bastante!

Parabéns mais uma vez. \o/

Melhores Diias disse...

Isso é porque você tem dificuldade de escrever? Imagine se não tivesse?! Parabéns!Belos pensamentos.

Outro começo de noite

Outro começo de noite