quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Bem antes

Algumas coisas
Sentimos antes de possuir
Antes de sentir o cheiro
De tocar
De ver

Coisas que já estavam lá
Prontas a serem acordadas
Quando acontecem
Irradiam a alma
Completam uma parte
Do quebra cabeça infinito

Já gostava antes
De mesmo conhecer
De imaginar
Quando nem sonhava
Eu já gostava
E sabia que estava aqui
Em algum lugar
Esperando acordar

Algo conspirava
Torcia a favor
Dizia o certo
Ajudava nas escolhas
E pelo caminho
Acreditava ser o destino
Mas antes de sentir o cheiro
Já conhecia esse perfume

Mesmo que a imagem não chegasse
Podia pintar um quadro
E mesmo sem olfato
Saberia distinguir entre cem
Um cheiro discreto e elegante
Que vem de longe

Não é a primeira vista
Estava aqui todo o tempo
E não sabia
Esperando um dia
Uma catarse talvez
Qualquer revelação
É o perfume que sigo
Sem nem saber por onde
Porque o corpo é só alma
E alma não se explica
Estava aqui e pronto
Chamo de coisa
Pra não definiri
Pra não resumir

Isso que ninguém explica
Que estava aqui
Que eu já gostava
E nem conhecia
Isso que me é essencial
E nem fazia parte do meu dia
Que controla as batidas
E gela a circulação
Que confunde e explica

É esse perfume
Que me faz parte agora
Essa dança que eleva meus pés
Esse sentimento
Que já vivia antes
E só esperava
A hora da chegada

Mudanças azuis

Sentindo feliz
Meu último amigo se foi
Eu gosto desse som
Mas é muito tarde agora
E preciso ir

Vou nessas mudanças
Azuis
Que a vida me mostrou

Um mar lá fora
Bate na porta da sua casa
Minhas esperanças
Entraram em um barco
De amar em conjunto
Em volta do mundo

Vou nas suas mudanças
Nessas mudanças azuis
De um céu rebatido

Em seu caderno
De capa vermelha
Chamava de livro
Historias sozinhas
Que não se realizavam
Meu último adeus

Suas mudanças
Azuis
Eu vou com elas
Com suas esperanças

Cantava um violino
Esperando chegar alguém
Em um sol apagado
De um último amigo
Que não te ouviu
Mas é muito tarde agora

Vou nas suas mudanças..

Procurando por algo lá fora
Qualquer espaço
Inspirados em cegos
Guiando barcos
A espera de garrafas
Trazendo notícias perdidas
De qualquer coisa
Que nunca aconteceu

Seu caderno vermelho
Você chama de livro
Esperou um acontecimento
De dias em que fui
Nas asas de qualquer navio
São mentiras verdadeiras
De quem continua vivo
E dá seu último adeus

Não volto mais
Eu vou em suas mudanças
Mudanças azuis

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O jogador

O melhor jogador
Joga sozinho
Guarda os segredos
Esconde-se da própria sombra

O melhor jogador
Tem calma
Pensa movimentos
Organiza acontecimentos

Sempre com á arma engatilhada
Não confia em ninguém
Guarda segredos

O melhor jogador
Não é um líder
Nem nunca quis ser
Cuida de defender
De proteger
É pelo os seus
Por isso não conta
Não envolve ninguém


Quando não há nada á fazer
Descobre um jeito
Há sempre uma maneira
Jogando com a vida
Cartas na manga
Engana muito bem
Protege uma só verdade
É pelos seus
E por mais ninguém

Depois de uma corrida
De uma briga
Vencido um titã
Outro que capota aos seus pés
Os dias tem sido da caça
Fecha os olhos
Agradece sempre
Respira fundo
Abre de novo
Volta pro jogo

A diferença

Esperando algo especial
Que fosse ao menos diferente
Os dias corriam em sonhos
Ilusões calcadas no desespero
Sorrindo assim
Só de sonhar
Com qualquer coisa nova

Sabendo que era tudo tolice
Que nada mudaria
Acreditava um pouco
Para poder sobreviver
Continuava
Dia-a-dia
Só querendo algo especial

Não corria e nem tinha medo
Nada fazia diferença
Absolutamente indiferente
Figurava nos locais
Um quadro vivo
Compondo uma paisagem
Se sentindo um tolo
Em meio á extraterrestres

Duas existências
O pesadelo de estar acordado
Á alegria de dormir
Se transportando para um lugar
Em que nunca esteve

Não sabia o que fazia aqui
Em uma lógica sem sentido
Conquistas importantes
Que de nada valiam
Ia conseguindo todas
Uma a uma
Em uma ordem natural

Sem entender
A importância de coisas
Com tamanhos e formas
Coisas que acabavam com o tempo
Que envelheciam
Perdiam a graça

Quis algo especial
Que fosse ao menos diferente
Algo que se aproximasse do infinito
Sem se arrebentar em conversas inúteis
Pessoas inúteis
E desejos inúteis

Algo que não pudesse descrever
Nem substituir

Aprendeu a diferença
Entre troca e mudança
Mudanças não ocorriam
Enquanto tudo podia ser trocado
A ordem sempre seria a mesma

Mas sabia que era tolo
Talvez louco
Como o inimigo de moinhos
Que rodavam com o vento
Nada mudaria
E por isso dormia
Dormia e dormia...

Um lugar

Saiu sozinho
Não perguntou á ninguém
Atingiu esse lugar
Sentiu á pressão de perto
Não podia contar com nada
Sabia que estava ali
Á milhas e milhas
De qualquer referencia
Que pudesse trazer algum conforto
Alguma tranqüilidade
Mas no fundo
Era ele e só ele
O sentido era esse
Melhor era estar sozinho bem longe
Que estar perto e não ter em que se segurar
Á pior de todas as coisas
Que fosse então
Pra ele se segurar
Agüentar os tormentos
De uma mente sem apoio
Prendendo se em si
Firmando se em cordas invisíveis
Saiu sozinho
Não perguntou a ninguém
Tinham lhe dado esse lugar

Casa de vidro

Tudo em que acreditamos
Parece agora de outro mundo
Como se tivessem atirado uma pedra
Estilhaçado uma vidraça
Que nunca mais iria se recompor

Não sabemos mais
Se fomos loucos em acreditar
Ou se tudo foi um dia possível
Mas agora aquele passado
Nós parece surreal

Sentimos uma historia
Que nunca existiu
Que não se encaixa
Nos registros do presente

Poderíamos ter jurado
Tínhamos todas as certezas
Pensávamos todas as possibilidades
E agora nem sabemos
Em que parte o fio se arrebentou

Pretensões envoltas em uma vidraça
Nossa casa de vidro
Não deixava entrar o vento lá de fora
Foi só o tempo
De alguém atirar uma pedra

Vimos nossas crenças
Caírem em uma chuva de cacos
Que se arrebentavam no chão
Há tempos que algo estava trincado
Não quisemos ver

Nossas certezas
Já não são tão claras
Cortamos nossos pés
Não quisemos ver
Nossa casa de vidro

Mais uma

E se te dissesse a coisa mais bela
A mais linda
E sensacional que já ouvi...
E se te levasse ao lugar mais distante
Onde pudesse te mostrar
Estrela a estrela
Em um céu que parece pintado
Num infinito iluminado...
E se te desse o presente mais raro
Buscado nos cantos mais distantes
Único e inestimável...
E se te mostrasse a mais perfeita canção
Na mais completa harmonia
Feita só pra você...
Te digo que ainda assim
Não seria minha
Se fosse já seria
Com a frase mais entrecortada
Em qualquer lugar
No sol mais quente que essa cidade já viu
Feliz com uma lembrança qualquer
Só ai te diria então
Só ai te levava
Só ai te mostrava o som
Das coisas mais perfeitas e completas
Por que então
Você não seria só mais uma

Em volta

Procuro em volta
Seu rosto não aparece

De noite imagino se está dormindo
Concentro meus pensamentos
Uma forma de encontrar te
Talvez possa ver te uma única vez

Escrevi um dia inteiro
O que ia te dizer
Em cada face me prendia
Seu rosto não aparecia
Perguntei em todos os lugares
Procurei nas ruas
Seu rosto não aparecia

Ontem mesmo
Sentado em um banco
Fazia esboços todo o tempo
Ate que de longe apareceu
De costa uns cabelos
Pretos e escorridos
Corri e cheguei perto
Não eram os seus

De noite quem sabe
Ao dormir eu possa ver te
Pra t contar um segredo
Que ficou no ar
Bem antes de ir embora

Pois que,

Não se preocupe comigo
Pois que,
Pouco tem se preocupado
Os que se colocam nesse lugar
Nessa demanda
Complicada e sem jeito
De amansar um espírito pouco cativo

Não se preocupe ainda
Pois que,
Cada encarregado
Tem me presenteado
Com um sem igual presente
De inestimável liberdade
Que cedo me fez gente

De longe me vêem bem
Ganhando as ruas esquina a esquina
Não há lua que meta medo
Não há lobo que esteja solto
Não há noite que seja escura
Que assuste com seus segredos

Medos nascem plantados
Por mãos necessitadas
De segurar até o ultimo instante
O que já se soltou a muito de seu cordão

Não se preocupe comigo
Pois aprendi a ser assim
A cuidar muito bem de mim
Mais eu, eu me preocupo contigo.
Que nunca aprendeu comigo

Passos regrados

Com os passos regrados
Com atenção
Pra não pisar em falso
Pra não cair em armadilhas
Dolorosas e complicadas
No momento mais tenso
Na reta final
Deveria ser percorrida sozinha
Mesmo com todo treinamento
Aulas e mais aulas de autodefesa
De não ceder ao que não se controla
Mesmo assim...
O percurso apresenta surpresas
Mas não conseguindo vencer o incontrolado
O piloto aprende
A vencer com a surpresa
A se adaptar ao percurso

E era só isso

Estava ali e era só isso
Foi suficiente
Pra viver um sonho rápido
Que chegou de repente
Dando sentido novo
A um mudo sem graça
Colorindo com felicidade
Uma noite qualquer
Deixou de ser comum

Não era esperado

O que acontece
Que não dá pra explicar
Que não tem motivo
Nem razão
Talvez escolha um acaso
Mas são muitos acasos ao acaso
Tomando caminhos
São sempre os caminhos
Os mais complicados acasos
Voltando ou indo embora
Talvez sejam universos paralelos
Acidentes desconcertados
Entre vias que não deviam se cruzar
Que se tornam contra mão ou mão única
O que acontece
Que não dá pra explicar
Que não tem motivo
Nem razão
De um instante ao outro
Do equilíbrio ao caos
Segundos transformam
Acasos se tornam a peça central
A regra de um jogo complexo
Sem expectativas
Sem probabilidades
O que acontece
Que não dá pra explicar
Que consome por inteiro
Algo que não era esperado

Necessidade

Necessidade
De escrever,
De transcrever um pensamento,
Para ter ali bem guardado
Pra poder buscar a qualquer momento

Necessidade
De ter um lugar só seu,
Com idéias suas,
Impressões mesmo que idiotas
Mas suas e só suas

Necessidade
De não passar vazio pela vida,
Só vendo os outros,
Sem fazer nada,
Mesmo que infantil
Mesmo que ingênua
Palavras são...
Nem sei bem o que são,
Mas sei que estão aqui,Escondidas dessa grande maioria

domingo, 27 de dezembro de 2009

..

Não posso dizer tchau
Só aprendi a dizer oi
Queria te falar que tudo vai ficar bem
Mas não sei dizer
Mesmo que soubesse que no final não tinha jeito
Que era mesmo impossível
Não posso dizer tchau
Só aprendi a dizer oi
Mesmo sabendo que tudo é melhor assim
Mesmo desejando lá no fundo
Que você pegue á estrada
E descubra a vida na liberdade
Nos seus caminhos
Não posso dizer tchau
Se o amor existe
E eu acredito ...
Ele só enxerga o bem
E acima de te querer aqui
Te quero feliz
Que seja em outro lugar
Bem longe
Sempre quis pouco
Mas desse pouco nunca abri mão
Nunca disse tchau
Só aprendi a dar boas vindas
Se alguém ia embora
Esse alguém era eu
Não vou chorar
Sou desses espíritos pequenos
Que tem vergonha dos sentimentos
Mais medo que vergonha é verdade
Mas você vai embora
E algumas coisas não têm previsão
Foi um susto difícil
Como se fosse uma criança
Que ganha um presente esperado
E depois tem que devolver...
Já gostava de você muito antes
Sem nem mesmo te conhecer
Mas você vai embora
E eu não sei dizer tchau
Aprendi a fechar os olhos
Respirar bem fundo
Com calma
Agüentar firme
Abrir um sorriso
Segurar não sei bem onde
Porque mesmo que dessa vez
Ninguém se apóie em mim
Meus pés precisarão estar colados
Não posso dizer tchau
Não vou chorar
Meus olhos têm cor de fogo
E as lagrimas ô poderiam apagar...
Não repare nos meus erros
Mas mal aprendi a escrever
E não entendo muito das regras
Nunca fui disso
Não repare no texto comprido
Todo junto sem separar
Mas é que não saberia
Colocar aqui uma lógica
Espero que sirva pelo menos pra você rir um pouco
Das todas essas besteiras
De tudo que falei
Mais de mim que de você
Sou mesmo egoísta
E alguns defeitos são difíceis de mudar
Mas só quero que tenha certeza
Que falar de mim
De não querer dar tchau
É o melhor jeito de dizer
O quanto eu torço
O quanto eu quero
O quanto eu desejo
Algo infinito
Impossível de definir
De felicidade e amor
E é claro sucesso
Que nunca caminharia separado
Fosse você o que fosse
Estaria sempre o sucesso presente
Mas é o que menos importa
Meu maior desejo
É só que você encontre amigos
Pessoas pra se apoiar
E que saiba em quem confiar
Sua alma é grande
Pode não desconfiar
Mas não se preocupe tanto
Nunca estará sozinha
Um anjo te acompanha
E disso não tenho dúvidas
Já escrevi demais
Não mandei uma carta
Minha cabeça não funciona assim
Era só pra dizer...
Aquilo que não vou falar
Sobre o tchau...
Não dizer é um pouco
Como continuar acreditando
Que você não estará longe daqui
Só pra terminar
Esteja eu onde estiver
Comigo sempre poderá contar
Sou como um herói às avessas
Cheio de erros e defeitos
Mas no final de algum jeito...
Estarei lá pra ajudar
Pra dar um sorriso e falar que tudo vai ficar bem
Porque embora o não apareça muito aqui
Gosto mais do sim
Do seu jeito assim
De se sentar no chão
De gostar de cálculo
E entender aquilo tudo
Que acho indecifrável
Colocando as coisas como elas são
Na sua completa exatidão
Exatidão de tudo
De caráter e até de emoção
Acho mesmo que já gostava de você
Antes mesmo de te conhecer
x)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

.

Quando tudo parecia estar quebrado
E você não sabia se era á mesma

Quando se fecharam os sonhos
Perdidos nas noites em branco

Lutando pelas mentiras nos filmes
Querendo acreditar em qualquer coisa
Pra poder pensar em algo diferente

Quando tudo parecia estar quebrado
Nada fazia diferença

Você esperou o vento que não chegava
Pensando que ele pudesse trazer de volta
Algo que foi levado para muito longe

Foi um para sempre que não aconteceu
Ficou nas promessas de uma crença eterna
Desesperou-se nos primeiros dias
Sem saber que o para sempre acontece renascendo
Não deixou que as cinzas acontecessem por si mesmas
Elas não puderam fazer crescer o primeiro galho
Quis que nada mudasse
Enquanto se apodrecia por dentro

Quando tudo parecia estar quebrado
Nada fazia diferença
E você não sabia se era a mesma
Sem acreditar morriam seus sonhos

Os caminhos sempre têm uma curva
E foi a hora certa
De enxergar qualquer coisa diferente
Esquecer um horizonte sem saída
Podendo ir por outra vertente
Olhando para os lados
Há um barco no lago
Uma travessia que não se prende ao chão
Sem precisar sentir a poeira da terra

O vento só leva o que não pertence aos lugares
Organizando a ordem natural
O que está quebrado se recompõe
Basta que se deixe acontecer
Renascendo todos os dias
Um ciclo maior
De incêndio e navegações
Que destroem embarcações
Ou levam homens ao desconhecido
Deixando nas praias novas esperanças

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Como se..

Tudo o que quero escutar
Como se lesse em minha mente
Tudo o que quero pensar
Como se estivesse um passo a frente
Tudo que preciso
Como se fosse meu maior presente
Quando não acreditei e tive medo
Você me abriu um sorriso
Como se tivesse minhas chaves
Você conhece meus segredos
Decifrou os meus sonhos
Entendeu minha alma
Te chamei de bruxa
Por não conseguir te esquecer
Como se a culpa fosse sua
Coloquei as mãos na cabeça
Para segurar os pensamentos
Mas o sangue corria frio
Perdi as minhas chaves
Não me entendi
Mergulhei nos meus enigmas
Como se me faltasse algo
Se ninguém decifra meus segredos
Me devoro
Sinto o gosto de sal
De suor e lagrima
Esfinge de areia
Que se desfaz no vento
Como se só você pudesse me salvar do deserto
Sem nada por perto
Um longo caminho
Esfregando o suor no rosto
Descobrindo com desgosto
O que você entende só de ver
As respostas lhe são fáceis
Como se fosse um anjo
Que me deixou a deriva
No mar seco
Só para aprender a te ver
Sem tentar entender
O que eu sempre soube
Mas tive medo de saber
Porque você é
Exatamente o que os sonhos sabem
E os pensamentos escondem
O que os homens comuns
Nunca poderão compreender
Como se você fosse
Exatamente como você é..!

Nosso heroi

Sem muito em que se segurar
Foi andando nosso herói
Sem muitas virtudes
Foi andando nosso herói
Dando jeito em tudo
Conquistando os passantes
Foi largando seu erro primeiro
E se aprimorando
O nosso herói

As regras não lhe eram simpáticas
Aprendeu a se virar sozinho
Não prestava contas
O nosso herói

Inocente em suas culpas
Não sabia o que fazia
Arranjou protetores
Venceu detratores
Nada lhe parecia difícil
Em todo momento uma alegria
A cada dia
A cada dia que vencia
Ia vencendo muito
Uma aposta no acaso
Promessa de fracasso
Nosso herói resistia
Sem orientação
Um vento o levava
Como uma folha que caia
Nosso herói não sabia
Mas ele resistia
Vencia, vencia
Com alegria

Mãos estendidas
Encontrava
Como quem procurava
Como quem pedia
Pra não ficar sozinho
Pra não ver o escuro

Nosso herói,
Ah o nosso herói,
Aprendeu a não ter direção
Selvagem de criação
Sem certo ou errado
Sempre sorrindo
Pra quem não espera nada
Tudo é uma grande conquista
Sem perspectiva
Ele só vivia

Dando um jeito atento
Selvagem de sentimento
Pensamento inocente, incoerente..
Tendo pecado por nascimento
A culpa não era bem sua,
Ele não queria, não queria...
Mas nosso herói é assim
Erro de um deslize
Filho do mundo
Um pouco de sorte e coragem
Camaradagem
Corações atentos
Não o deixarão...
Sedento, sedento..
Nosso herói
Nosso exemplo

Pouco a pouco

( feche os olhos junto com os sons)

Feche os olhos
Queria cantar uma musica
Comprei um violão
Mas precisava também de um piano
E talvez um baixo
Não seria fácil
E depois de muito ensaiar
Não poderia fazer tudo sozinho
Só eu pra você agora
Uma musica bem fechada
Bem ensaiada
Sem precisar de mais nada

Feche os olhos
E tente se desligar
De tudo que é comum
E é normal
Então os sons virão
Pouco a pouco
Como em uma canção
Sem se afastar
Os sons virão
E pouco a pouco
Te levarão
Nas suas asas
Em ondas
Para outro lugar
Bem longe
Mais que a distancia
Das luzes se apagando
Em pequenas estrelas
Que cortam o céu

Formigas

Não há nada que possa parar
Que possa fazer perder a noite
Se não entendemos os motivos
Há uma teia
Envolvendo todas as coisas
Para salvar o que não resiste
E destruir o que não se curva
Da resistência nascem as forças
E se criam as coisas
E não há nada que quebre a corrente
Cada pequena parte
Se juntando com toda a força
É a resistência
O que não se quebra
O que faz nascer à noite
Cantando baixo, seus hinos pelas sombras
Os motivos são aqueles outros
Os mesmos...
Das idéias dos gigantes
Esmagarem as almas de formigas
A resistência nasce com a noite
Com o a cor escura do conhecimento
Com o amor pelo que não se enxerga
Quem tem medo adormece
E acorda formiga
Diminuto em seus desejos
Tentando quebrar a corrente
De gigantes que perambulam no desconhecido
Aterrorizando pensamentos
Rindo nas noites
Resistindo a toda luz que cega
Coordenando um caminho
São nômades que traçam suas rotas
Desbravando seus temores
Enquanto formigas criam colônias e estradas

Feche os olhos

Feche os olhos
Queria cantar uma musica
Comprei um violão
Mas precisava também de um piano
E talvez um baixo
Não seria fácil
E depois de muito ensaiar
Não poderia fazer tudo sozinho
Só eu pra você agora
Uma musica bem fechada
Bem ensaiada
Sem precisar de mais nada

Feche os olhos
E tente se desligar
De tudo que é comum
E é normal
Então os sons virão
Pouco a pouco
Como em uma canção
Sem se afastar
Feche os olhos e os sons virão

As luzes se apagando

Os sons virão
E pouco a pouco
Te levarão
Nas suas asas
Em ondas
Para outro lugar
Bem longe
Mais que a distancia
Das luzes se apagando

Pra onde ?

Qualquer coisa que valha
Dias de chuva e cansaço
Vejo todas essas pessoas sozinhas
Pra onde elas vão ?
Caminham nas calçadas
Debaixo do guarda chuva
Vendo os pingos caírem do céu
A tarde vai chegando
O dia acabando
E da janela de casa
Os pingos continuam a cair
Em uma brisa úmida
De onde elas vem ¿
Eu olho todas essas pessoas sozinhas
Quem elas são ¿
Na janela de suas casas
Esperando por algo distante
Todas essas pessoas
Sozinhas em mentes cansadas

Perigosas

Palavras perigosas
Levam barcos
Comandam exércitos
Provocam guerras
Palavras perigosas
Nunca deveriam ser ditas
Bocas malditas
O que os homens nunca poderão saber
O que os homens não sabem
O entendimento que não pode ser desfeito
Palavras perigosas
Verdades que não podem ser ditas
Comandam rebeldes
Incitam revoltas
Começam a revolução
Palavras perigosas
Cortam o fraco fio da ligação
Destroem teias
Desmoronam impérios
Palavras obedecem a critérios
O não dito mantém o controle
Organiza os povos
Desumaniza os homens
Por isso toda paz
Tem enfim
Um pouco de medo e silencio

Na parede

A aranha na parede
A goteira pingando da infiltração
A torneira que não fecha
O prédio velho
Range as vezes
O caminhão de lixo que passa
Quatro horas
No fundo da sua retina
Nada existe
Nada existe
A aranha faz sua teia
A goteira alaga o chão
Seus pés se molhando
Imóvel olhando o nada
Quatro e quinze
Sem barulho na rua
Um carro passa com som alto
Quatro e vinte
A teia terminada
Uma só luz ligada
Seus pés não sentem o frio
Quatro e meia
Levanta
Caminha até o armário
Completa o copo
Bebe de uma vez
Quatro e trinta e cinco
Sai pela porta
Á aranha descansa na teia
A goteira aumenta
O barulho da chuva
Sem trovões
A rua deserta
Pega o elevador
Vai para o décimo oitavo
Caminha até a janela
Nenhum barulho no décimo oitavo
O prédio não range
Só a chuva que cai sem trovões
Senta na janela
Inclina o corpo
Cai
Dezoito andares
A luz ficou ligada
A goteira inundou tudo
A chuva levou o sangue que escorreu na calçada
Uma pessoa ouviu o barulho
Pensou que fosse uma batida
Voltou para a internet
A aranha continuou com a teia
A goteira diminui
Quatro e cinqüenta
Cinco horas
Cinco e meia
Um homem achou o corpo
Curiosos se juntaram
Seis e meia
Entraram no apartamento
A aranha tranqüila
Boatos por todos os lados
Sete horas
Reviraram o apartamento
A goteira acaba
Oito horas
Após muita procura não acharam nada
Nenhum bilhete, nada..
Colocaram a culpa na bebida
Nove horas
A família não veio
Muito barulho
Muitas sirenes
O policial antes de sair
Vê a aranha
Destrói a teia
Nove e um
O policial
Pisa na aranha
Tranca a porta
A aranha morre
Ela que não teve culpa!

Das coisas

Lembrando das coisas
Passado presente
Esquecido
Vem de uma vez
Passado esquecido
Nunca existiu
Nessa confusão
Não vejo você
Pra onde vai ¿
Não vejo você
Passado presente
Contente em lembrar
Coisas pequenas
Um jeito de sentar
Um sotaque ao falar
Coisas pequenas
Contente em lembrar
Nunca existiu
Nunca existiu
Essa confusão
Não fui eu quem criou
Passado presente
De longe se mostra
No reflexo ausente
De tudo que se espera
Mas não se entende
Me sinto tão só
Passado presente

Um ano atrás

Olhei o horizonte
É o mesmo de um ano atrás
Chove novamente
É o mesmo de um ano atrás
Nada parece ter mudado
Demos uma volta completa
É o ponto de partida
Depois de te encontrar
De jurar a eternidade
Como essa planície sem fim
Agora de volta
Nessa mesma pedra
Parece que nem nós conhecemos
Sem volta
Passei por você esses dias
Fingiu não me conhecer
Fingi não te ver
O que bate aqui
É o mesmo de um ano atrás
Vejo muito alem
Sinto te encontrar
Como quando nem te conhecia
E mais uma vez
Vamos trair nossa razão
E nos deixar guiar
Daqui a um ano
Como as coisas vão estar ?

No meu lugar

No meu lugar
Esqueci do mundo
Não tive medo
A chuva caiu
Levou o tempo seco
Os ventos sopraram pela janela
Só vi o quadrado da janela
A terra que a água levou do jardim
O vento que derrubou as folhas

No meu lugar
Nada foi preciso

pressão

Sob pressão
Pra cabeça agüentar
Sob pressão
As veias são vias
O sangue corre dilatado
Sob pressão
Olhos vermelhos
Arregalados de não dormir
Três dias e três noites
Sob pressão
Café todo tempo
Mãos tremendo
Sorriso histérico
Sem sono
Pra cabeça agüentar
Três dias
Só mais três dias
Antes que as veias estourem
Que o sorriso enlouqueça
Ou que o café acabe

Fugitivo

Sou o fugitivo
Ando com disfarces
Entro e desapareço
Não sou percebido
Sou o fugitivo
Apago meus rastros
Não ligo pra ninguém
Sou o fugitivo
Como uma chama
Ascende e apaga
Não deixei vestígios
Sou o fugitivo
Pensei em tudo
Sumi no ar
Nunca estive aqui

Espíritos tristes

Um homem pulou de um prédio
Uma mulher gritou a noite inteira
Dois caras se bateram até a morte
Um casal se separou
Um jovem levou treze facadas
Uma criança nasceu

As nuvens tamparam o céu
Começo do feriado
Finados
Os espíritos tristes corriam as casas
Abatiam com a luz pesada
Tarde de sangue
Noite de agonia
Os espíritos tristes
Deixaram loucura pelos cantos
Tristeza sem explicação
Ódio incomum

As nuvens tamparam o céu
Para que nada fosse visto
Ocultando toda luz e direção dos astros
Sem lugar e sem brilho
A noite enlouquecia
Os espíritos tristes faziam suas vítimas
Se projetavam em corpos cansados
Em mentes atordoadas

A lua cheia só apareceu de madrugada
Os cachorros uivaram então
Aos poucos o sol foi chegando
Tudo se organizando
A criança chorava
Trazendo alguma alegria
Da ressaca
Da noite daquele dia

Sem fim

Cantavam a musica
Dançavam a melodia calma
Interminável
Aquilo não acabava
Como se em um movimento eterno
As batidas tranqüilas
Repetidas atormentavam
Aquela mansidão
Os passos sem fim
Sorrisos melancólicos
O salão enfeitiçado
O homem no violão
Em duas notas
Intermináveis
Pessoas sentadas
Atravessavam um olhar muito alem
Desligavam-se dali
A garoa caia aos poucos
Nem os copos se quebravam
Três crianças não choravam
Estavam limpas até agora
Melodia interminável
Festa sem fim

Preço

Quanto vale uma pessoa
Quantos são seus sonhos
O que ela precisa
Vale tão pouco
Ou vale muito
Se tudo tem seu preço
Há aquelas que não valem nada
Tudo que não tem preço
Não vale nada

A maioria vale alguma coisa
Umas custam caro
Outras roupas e sapatos
Quem não tem seu preço
Sucumbi na exclusão
Morre na desilusão
Na bala de uma emboscada
Mas livre vive no entanto
Experimentando o vento
Nas asas do que não é permitido
Pensamentos
Senhores de si
Os livres são poucos
São alegres ou tristes
O meio do caminho não existe

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Escritos inuteis

Escritos inúteis
Pra satisfazer
Não sei o que
Não matam minha fome
Fome mesmo
Essa fome de verdade
Que só pode ser de amor

Escritos inúteis
Ficam guardados em uma caixa
Mapeiam as fraquezas
Deixam á mostra toda fragilidade

Escritos inúteis
Tomam meu tempo
Minha dedicação
Me fazem lembrar
O que quero esquecer

Escritos inúteis
Que ninguém merece
Desmerecedores de credito
Quando são bons
São raros
Quando finalmente saem
Saem a um alto custo
Pintados com as piores dores
E mesmo assim
Com as piores dores
Eles são inúteis
São ridículos
São do tamanho de qualquer coisa comum
Banal

Escritos inúteis
O que ninguém precisa saber
Sobre mim ou qualquer outra coisa
Ousado que sou
Mal arrumado e desorganizado
Escrevo não sei para que
Cometo um ultraje
Maltrato a língua
Chamo de poema
Quem sabe algum dia
Alguém me perdoe
A culpa não foi minha
Eu só tentei
Falar um pouco comigo

De casa em casa

Procurei como louco
Andei de rua em rua
Bati na porta das casas
Anunciei nos jornais
Não te encontrei
Observei o céu todas às noites
Pensei se você estava lá
Talvez perto do cruzeiro do sul
Como em uma lenda indígena
Pessoas viravam estrelas
Rodei pelas rodovias na madrugada
Não te encontrei
Onde estará você
Preciso te encontrar
De tanto procurar
Me perdi em algum lugar

Cãofiança

Confiança, confiança..
Lealdade, lealdade..
Por onde andam..
Cãofiança, cãofiança..
Amizade, amizade..
Compre um cachorro e conte segredos
Dê um osso a um homem
Compre ô com carne
Saberá de tudo
O cão.. o cão apenas escutará
Cãofiança, cãofiança..
Alimenta-se com lealdade
Confiança, confiança...

Figuras

Ninguém disse que seria fácil
Talvez devêssemos começar do inicio
Trabalhar figuras não foi tão simples
Toda realidade é um pouco de fantasia
Foi o que vimos

Ninguém esperou nossa chegada
E fomos mesmo assim
E se começar de novo for preciso
Estaremos logo pela manha
Com as malas prontas

Uma fotografia falou o que não existe
Um sonho mostrou o caminho
Te esperei na jangada
O rio era mais longo
Poderia ter atravessado nadando
Te esperei na jangada

Questões silenciosas
Em volta do barco
Nós afogamos lá dentro
Esfriei a cabeça na água
Ninguém disse que ia ser fácil

Andando em círculos
A trajetória continuou
Uniforme e invariável
Vi o mundo enquanto rodava
Eles riam da nossa música
Caímos na água
Não esperavam nossa chegada

No fundo do rio
Alguém disse que ainda não era hora
As pedras se moveram
Os peixes parados observaram
A fotografia caiu do bolso
Despedaçou-se em mil pedaços
Com ela a lembrança

Vou recomeçar
Se um pedaço eu achar
Trago de volta
Parte da foto
Que já não tinha cor
Parte do sonho que acordou

Um pesadelo

Tive um pesadelo
Em que tudo se afastava
No meio de uma plataforma
Cercado pelo oceano
Nem os pássaros cantavam
Vi de longe
Um barco pequeno
Foi chegando perto
Quando finalmente alcançou a plataforma
Vi todos no barco
Davam uma festa na barca, agora enorme
Pedi para entrar
Implorei a todos
E me disseram que estava cheio
Que eu ficasse na plataforma
Não me preocupasse com nada
O barco foi se afastando
Deram-me adeus
Mandaram beijos
Disseram que me amavam
Acordei e vi água por todos os lados

Pra voce

Essa musica fiz pra você
Pra nunca se esquecer
Mesmo que os dias passem
E que eu não esteja mais aqui
Terá essa musica pra não se esquecer
As arvores estão de testemunha
E tudo que me circunda
Mesmo que esteja longe
Você ira se lembrar
Eu fiz essa musica pra você
Só espero que algum dia
Possa ler e se lembrar
Porque eu nunca.. Nunca vou me esquecer

De uma só vez

Queria gritar na porta da sua casa
Coisas simples
Queria falar de uma só vez
Eu te amo
Mas não vou fazer
Vou fingir que não me importo
Vou pisar forte
Assim cruel
Queria gritar na porta da sua casa
Coisas simples
Queria dizer de uma só vez
Mas não vou fazer
Vou fingir que não me importo

Estarei longe

Olhou com os olhos
De quem tem culpa
Olhou com a cara
De quem se esconde
Olhou com a feição
De quem se justifica
Não te culpei
Nem perguntei nada
Sei que tem a resposta pronta
Ponta da língua
Em um só impulso
Olhei com os olhos
De quem perdeu alguém
Olhei com a cara
De desesperança
Olhei com a feição
De quem não quer acreditar
Sabemos de tudo
O mistério é só a ilusão
Eu finjo bem
Você nem sempre
Afastando aos poucos
Sem causar impacto
Logo estarei longe
Não saberá onde tudo acabou
Colocará a culpa no tempo
Mas foi um dia e nada mais
Um ponto de cisão
Um olhar
Só o que foi suficiente
Nunca valeu a pena uma discussão

sábado, 24 de outubro de 2009

Sem fronteiras

Nós queríamos roubar um banco
Treinávamos não ter medo
Nos não temos medo!

Eu escrevo poemas...
O que aconteceu ?


Nossa coragem é agora desnecessária
Nossas músicas agora são paradas
Incendiamos uma casa
Pulamos de todas as arvores
Invadíamos qualquer lugar
Tomávamos banho escondido nas piscinas
Quebrávamos vidraças pelo gosto de ver o estilhaço
Nosso limite era o infinito
Vivíamos a margem
Talvez fossemos marginais
E isso era divertido
Nossa revolta sem saber motivos certos

Não sei se foram os sustos
Uma batida
Uma quase capotagem
Uma quase detenção
Ficamos no quase
Deus gosta da gente
Tivemos sorte sempre
Éramos os melhores
E acredito que ainda somos

Talvez os anjos nós tenham acordado
Ou tenhamos crescido mesmo
Mas embora muita coisa tenha mudado
Ainda permaneço o mesmo
Ainda gosto de Maquiavel
“bom com os amigos..
cruel com os inimigos..
infiel a todos os outros”
Viver ainda é um pouco como guerrear

É meu amigo,
Você também não mudou muito
Ainda somos poucos
E nossa virtude
A maior de todas elas
Que perdoa todos os pecados
Você ainda possui
Não esquecemos quem somos
Não esquecemos da onde viemos
E a quem devemos nossas dividas de sangue
Fidelidade e confiança

Ando por procurar alguma profissão divertida
E talvez um amor desses que valha a pena
Só encontrados naqueles olhos que sabemos identificar tão bem
Os espelhos de tudo que acreditamos
O amor que une tudo
Que quer dizer toda a virtude existente
Traduzido em mil palavras
Amor só tem um sinônimo
Verdade...

Por mais que nossas vidas mudem
Por mais que elas melhorem
Por mais que estejamos agora próximos do que queríamos ser
A ideia final é sempre voltar ao ponto de partida
Essa classe média é muito pobre
O que temos de mais valioso não podemos perder
Somos como piratas que visitam uma terra distante
Chegamos, observamos tudo que há de melhor,
Levamos embora
De volta pra os campos em que andávamos descalços
Lá temos a plenitude

Aos nossos filhos
Futura geração dos nossos sonhos
Só espero que tenham o mundo inteiro como tivemos
Que tenham ainda mais
Que não precisem sofrer tanto por coisas inúteis
E que sofram muito...
Muito mesmo pelas úteis
Para que elas nunca percam seu valor

Somos os piratas
Somos os rebeldes
Por mais que estejamos quietos
Sabemos quem somos
E não nos misturamos
Poucos que restaram de um outro tempo
De uma outra compreensão
De uma outra lei
Somos a lei do nosso mundo
Conquistaremos o que for possível
Faremos de tudo
Para voltar para casa
Como quem traz a cabeça do inimigo a segurando pelos cabelos

Talvez na caminhada
Encontremos alguém
Algum desgarrado
Um dos nossos
Digno de confiança
Enxergaremos nos olhos
E nos sonhos
Andando descalço
Trepando nas arvores como macaco
Subvertendo toda a lógica

E já tendo escrito muito
Preciso dormir
As coisas não estão fáceis
A quem muito recebe
Muito será cobrado
Recebemos toda a felicidade do mundo
Por isso somos tão cobrados
Pagamos com o suor do dia-a-dia
Não sabemos vencer de outro jeito
E á quem ler esse poema ou esse tratado
Chamem como preferir
Que achem o que quiserem
Nós não provamos nada que não seja para nós mesmos
Todo povo tem sua nação
Somos a nossa nação
Nosso território não tem fronteiras

A lua amarela

A lua amarela

A lua amarela
Não brilha tanto
Dias tão escuros
A lua amarela
Entra no lago
Alcança as extremidades
A lua amarela é outra

Se lembra daquela noite
A lua amarela era como o sol
Caminhávamos a noite sem tropeçar
O que aconteceu
O que aconteceu
Nadamos no lago
Que a lua cobria
Ela entra no lago de novo
Mas não brilha tanto
O lago é outro
A lua amarela vai ficando cinza
Contemplando o silencio da noite
Gritávamos muito
Falávamos alto
Mas agora é só o silencio
A lua ficou cinza
O lago escureceu
Algo morreu

Se um dia eu..

Se um dia eu..

Se um dia eu morrer
Não me coloquem junto dos outros
Não me ponham nos jardins da morte

Se um dia eu morrer
Vou querer vida
Vou querer o sol e a chuva
A alegria e a tristeza
Agitação e calmaria
Em um lugar que flui
Transforma-se todos os dias

Não me ponham em jardins imutáveis
Em casas de cimento
Em recintos de plenitude
A vida não é plena nem uniforme
Quando eu morrer eu quero vida

Coloquem-me então em um vale
Não cavem muito fundo
Não me ponham em uma caixa lacrada
Eu quero vida

Plantem uma arvore perto
Dessas que duram cem anos
Dessas que dão frutos
Que atraem pássaros

Não ponham placas
Se esqueçam do lugar
Façam uma festa
Que ela dure três dias

Meu corpo sempre feliz
Tenciona os músculos da face
Procura alimentar a vida
Alegra-se no fluir
E tendo vindo do pó
Ao pó quer retornar
Adubo para as plantas
Alimento para os vermes
Contemplando a harmonia de todo um vale
Que não morre nunca

Um outro poema

Se cale em seu sorriso
É uma mesma musica
Para um outro poema
Pare de chorar no seu coração
Deixe que as lágrimas caiam
Deixe que escorram pelo nariz
Que cheguem na boca
Sentindo o gosto de sal
Sinta lágrimas em seus lábios
Se cale em seu sorriso
Se quer mesmo é chorar
Chore uma noite inteira
Amanheça com os olhos vermelhos
Pare de chorar em seu coração
É uma mesma música
Para um outro poema

Face a face

Face a face
Um cover
Face a face
Usando alguém
Alguém como você

Tocando algo do passado
Um cover
Fazendo você saber
Alguém como eu
Qualquer pessoa

Todos prontos
Falando na rua
Quebrando garrafas no asfalto
Falando da lua
Rimas sem esperança
Rimas sem graça
Alguém como eu

Algo do passado
Um cover
Pra você saber
Amanha pra se esquecer
Alguém como eu
Alguém como você
Quebrando garrafas na rua
Falando da lua

No meio da esquina
Entre um astro e outro
Tocando um cover
Algo do passado
Entre uma e outra estrela

As constelações têm poeira
Os moveis da sua casa
Os tapetes da minha
Veja o céu
Somos grãos de poeira

Amanha pra se esquecer
Um brilho como o seu
Usando alguém
Qualquer um
Todos prontos
No meio da rua
Alguém como eu
Fazendo você saber
Um cover do passado
Essa noite ontem
Um cover de amanha

sábado, 17 de outubro de 2009

Alma fracionada

Vai se soltando aos pedaços
Montando em um quebra cabeça obscuro
É sempre uma surpresa
Muito mais do que o esperado

Para que se conheça toda ela
Se esconde em infinitos lugares
Se diz forte e assusta com a sombra
Cria ilusões de ótica
Um caminho sinuoso

Teme ser encontrada
Um sábio a dividiu em infinitas partes
Em todos os cantos em todos os lugares

O quebra cabeça obscuro
Tem sentido para quem é permitido enxergar
Os demais são os cegos que nunca poderão ver
Os homens não sabem compreender
Temem o desconhecido
Destroem o desconhecido
Cultuam o imcompreensível
O sem razão de ser

A quem encontrar os pedaços
O premio de se ter o que nunca se imaginou
Mais do que qualquer coisa
A que tudo se supera
O que não se espera

Os pontos fracionados de uma alma
Um entre milhões
Segredos bem guardados
Que se mostram no tempo e na gratidão
Todo o entendimento
Escutando vozes do que nunca se saberá o que é
Só entende quem procura
Os pontos fracionados de uma alma

Sanidade

Quando te disser o certo ou o errado
Quanto te falar de sanidade
É no que eu e você precisamos acreditar

Uma prosperidade tão a favor
Um cidadão de bem
Esperei o trem
Sai no meio do dia
Fui a plataforma
Esperei o trem
Um cidadão de bem
Uma prosperidade tão a favor

Te falei dos meus projetos
Dos planos abertos
Cinema final de semana
É no que eu e você precisamos acreditar


Pra não se assustar
Pra não se magoar
Essa é a historia que ninguém contou

Peguei mesmo o trem
Sem saber bem
O que é que tem
Depois de algo alem

Daqui a algum tempo
Recuperado volto
Bem preparado
Cidadão de bem
Cabelo cortado
Retransformado

Quando te falar de sanidade
Escute bem
É no que eu e você precisamos acreditar
Cinema no final de cinema
Morte no final de semana

O gato

Você se esconde nas paredes
Passando nas ruas cheias
Distraída na multidão
Olhando para o chão

Sai bem cedo
Volta a noite
Senta na cadeira
Brinca com o gato
Liga a tv e adormece desmaiada

Você se esconde nas paredes
Passando nas ruas cheias
Distraída...
Só passa...
Pensando em algo vão

Come qualquer coisa no caminho
Pede um café
Conversa com uma colega de repartição
De repetição
De beber café


Você não é você não


Volta pra casa
Enforca o gato, amante de solidão.
Você não é você não
Faz a mala
Pouca coisa
Deixa o passado
Poe fogo no apartamento
Desce tranqüila as escadas.
Corre na contramão
A avenida esta vazia
Não pensa em nada não
Noite quente e colorida
A ultima em uma boate qualquer
Ouvindo uma musica de um tempo que passou
Tempo que volta
Pega as malas ao amanhecer diferente
Foi a ultima noite na cidade da solidão

Pobre de mim

Pobre do samba
Ganhou meus aplausos
Arrancou meu sorriso
E nunca..
Nunca saberá se o mérito é mesmo seu

Se gosto de samba é novidade
Já não sei bem
Se é o samba ou se é ela
Não se separa das batidas
Ela sem samba não existe
Ela sem samba não é feliz
Pobre do samba
Nunca saberá se o mérito é mesmo seu
Sua batida é amor
Seu amor é felicidade
Pobre de mim
Que sem ela não vivo
Que divido com o samba
Compartilhando seu amor
Nunca saberei
Se é pra dança ou pra mim
Pobre de nós
Eu e o samba
Sem ela as batidas são sem graça
O samba morre
E eu me torno infeliz

Metade

Tampo metade da face
Sou metade do mundo
Ando sozinho
Sou o vento
Fecho os olhos e sou o infinito
Corro para onde eu sou
Parte dos lugares
Reviro a alma
Participo como quem nunca vai embora

Acordo no dia seguinte
Face destampada
Mundo inteiro
Estrada lotada
Fronteiras fechadas
Vou embora
Não sou lugar algum
Eu nem sou daqui
É, acho que nem sou daqui!

Me irrita

Me irrita

Quando alguém quer saber mais de mim do que eu mesmo
Quando sabem o que devo ou não fazer
Do que devo ou não gostar
Não façam comparações
Ninguém é nem nunca vai ser igual
Ninguém viveu ou vai viver a mesma coisa
Não me diga eu te conheço
Não quero ser e não sou
Não me conheço e não quero que conheçam
Se digo muitos nãos é porque barreiras foram ultrapassadas
Vamos ser felizes
Sem definições
Sem certezas
Vamos esperar a surpresa brotar de nós mesmos

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

sábado, 5 de setembro de 2009

Codigos

Há certo extase
Em reviver certos codigos
São letras organizadas em palavras
Palavras organizadas em poemas
São os codigos

Uma descoberta
Desde sempre
Aprendi a me transportar
Uma descoberta
Uma forma de encontrar momentos no infinito
São os codigos
Sequencias de letras
Com lógica nem sempre entendida
Ums mais simples
Outros mais complexos
São os codigos

Algo perdido então volta
certa agonia
certa felicidade
certo medo
Mas tudo reunido com extase
De viver de novo
Olhos vidrados ao ler estas sequencias
Eu posso viver duas vezes
Posso sentir tudo de novo


Custa caro

Como custa caro..
O preço é alto demais
Se é que isso ainda existe em outro lugar
Por aqui quase não vejo
Aqueles que não se dobran
Quase se foram por inteiro
Aqueles que não vendem seus sonhos
Mal podem dormir por aqui
Custa caro demais não voltar atrás
Todos os outros se juntaram ao rebanho..
Dos sem orgulho..
Dos sem alma..
Dos sem nação..
Não quiseram pagar
Orgulho não se paga com dinhero
Custa caro demais
Preservaram suas noites
Mesmo que os pesadelos os atormentassem
Por terem vendido suas almas
Preferiram deitar a cabeça nos travesseiros e dormir
Mas uns poucos ainda restaram
Uns poucos que resistem
Que não vão se vender assim tão barato
Alma custa caro demais!



sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Até quando

Até quando..
Vou fingir que não me importo
Pra não demonstrar que importo demais
Até quando..
dizer que esta tudo bem
Até quando continuar no barco
Enquanto ele pega fogo e sou o único que sabe nadar
Eu seguro firme
Caminho sozinho
Atravesso um deserto
Mas como sempre
Está tudo bem
Peço compania para atravesar a rua
As pessoas estão cansadas
Enquanto eu já atravessei um oceano inteiro
Até quando eu não sei..
Mas aguentando continuo
Enquanto todos desabam
Seguro firme
Não sei porque
Mas aprendi desde cedo
Que homem não chora


O homem barata.

O homem barata
Queria ir trabalhar
O homem barata
Acordou cheio de patas
Teve medo de perder o emprego
Machucou sua carapaça
O homem barata
Antes de ter carapaça já era inseto
Já vivia pelos cantos
Se escondia no escuro dos pensamentos
Fechado em seu quarto
O homem barata tinha prazeres simples
Tinha medo de ser pisado e esmagado
Pois nunca foi humano
Sempre foi barata

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Só o amor entende

Eu sempre achei que estava no controle
Sempre pensei que tudo era previsível
Que minhas palavras sempre me ajudariam
Que minhas respostas viessem na hora certa
Que a emoção não comprometeria a frieza do raciocionio
Eu escrevo, e quando escrevo sou maquina
Enganados aqueles que acreditam nos versos
Nos textos e nas frases de efeito
A emoção de um poema é a frieza de meu raciocinio
Pois quando o raciocinio ferve de sangue e sentimento
A emoçao das palavras se tornam nulas
Não vejo nada alem do óbvio
Meus passos se perdem
Minhas respostas não chegam
E acabo por chegar no imenso lugar comum
Das rosas vermelhas, do coração apaixonado
E de todas essas coisas bregas que só o amor entende!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Fresta

Uma fresta se abriu
Pouca luz entrou
Uma fresta se abriu
Pouca luz iluminou
Algumas pessoas disseram
Que a luz era muito pouca
Não servia pra nada
Outras pessoas se alegraram
Foram atrás da fresta
Quem se animou abriu o caminho
Quem não acreditou ficou
A luz durou pouco tempo
Só o tempo nescessário
Para que alguns fossem atrás da luz
Para que encontrassem a saida
E os outros ..
Ficaram por esperar
a caridade de quem acreditou
Poder voltar para mostrar o caminho

..

Quero a batalha dos tempos modernos
quero a vitória de um tempo que ainda não chegou
quero a coragem de meus antepassados
quero o amor sempre a meu favor
meu povo tem esperança
de receber de volta
só o que era seu






domingo, 12 de julho de 2009

Portas

Pedras são pedras
Peixes são peixes
Portas são entradas
Portas são saidas
Pedras são minerais
Peixes são animais
E eu
Eu sou tantas coisas
Pessoas são pessoas
Loucos são gordos
Loucos são magros
São homens e mulheres
E eu
Eu sou tantas coisas
Portas são entradas
Portas são saidas
Peixes nadam
Agua quente
Agua fria
Peixes diferentes
Portas abertas e feixadas
Pessoas quentes e frias
Abertas e feixadas
Entrando e saindo

sábado, 4 de julho de 2009

Um ano inteiro

Ahh como eu queria
Escrever agora
De uma vez só
Falando de tudo
Falando de como foi difícil
Um ano inteiro longe de você
De como foi pra mim
Das outras
Das tentativas de amores forjados
Dos olhos de vidro
Tinham olhos de vidro
Nada além
Sei que tinham alma
Eu não consegui ver
Sei que suavam frio
Eu não senti
Um ano inteiro longe de você
Não consigo descrever
Os textos vazios são brancos
Sem palavras
Um ano inteiro sem palavras
O ano mais branco de todos!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Os livros que leio

Os livros que leio
Abrem os olhos
Me batem na cara
Mostram-me o que não quero ver
Um sentimento de descrença
De intensidade
Influenciam muito
Todos já viveram
Viveram minha vida
Cada um
Sobre diferentes aspectos


Pareço caminhar
Pelos mesmos erros
Buscando os mesmos acertos
A realidade
A realidade das pessoas assustadas
Elas já viveram antes
Estão á minha volta
As mesmas almas
Eu ás conheço
Todas

sábado, 27 de junho de 2009

Meu mundo é castanho

Eu falo com você
Eu tento me conter
Me engasgo pra não dizer
Seus cabelos lisos castanhos
Escorrendo pelo pescoço
Você é mesmo cruel!
Seus olhos castanhos
Combinam com os cabelos
Cor de mel
Você é mesmo cruel!
Me deixou entorpecido
Me mostrou o desconhecido
Estou vencido

sábado, 20 de junho de 2009

Eu sei

Não diria desse texto uma confissão
Não diria desse texto algo meu
Mas diria desse texto apenas uma explicação..

Minhas palavras me assombram
Não as palavras faladas
Porque dessas me esqueço fácil
Mas as palavras escritas
Daqui um ano
Daqui dois
Daqui dez
Quando olhar para trás
Quando ver registros
Registros são como provas
Eu verei escritos de outra pessoa
Outra pessoa que terá morrido
No passar das horas
Dos dias
Das semanas
Dos anos
Estarei assombrado então
Diante de mim mesmo
Como uma imagem retrogáda em um espelho
Pois nesse exato m0mento
Sou puro desejo de mudança
De tornar me outro
Outro não tão bom
Outro com menos amor
Outro mais reticente
Outro mais frio
E no esforço por tornar me outro
Tornarei me
E o pior de tudo
É que já sei do arrependimento posterior
Então ficam gravadas essas palavras
Para o dia que vira daqui muitos dias
Para o dia em que poemas serão frescuras
Para o dia em que tiver perdido tudo o que me é bom
E ter aprimorado tudo o que me é usual
Prático, objetivo e comercial
E ai eu vou ler e dizer
Nossa, esse era eu
E como a modestia vai embora
Vem a auto enganação
Vem o prestigio dos enganados
E prestigiado por idiotas
Direi..
Eu já sabia! Como eu tenho visão..
Eu ja sabia!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Escondi minhas palavras


Quero que minhas palavras sejam sombras

Só falarei de amenidades

De coisas externas

Não é isso que fazem os homens comuns ?

Os que tem medo de expor sua alma ?

Pois então é isso..

Não sei se expus minha alma

Ficaria feliz e consternado ao mesmo tempo se o fizesse

Mais consternado do que feliz

Por isso minhas palavras serão sombras

Pois sou um homem comum

Quero viver como um homem comum

Quero prazeres Comuns

Um filho e um cachorro

Como em um comercial de margarina

Como diria Zeca Baleiro

No medo de Deus se faz a religião

No medo dos homens se constitui a moral

Tenho medo dos homens

Não sabem distinguir

Moral e Moralismo

Por isso vou esconder

Cair na mediocridade

Pois assim se vive muito tempo

Boa escrita nenhuma vale a revelação de um segredo

E quando se escreve por mais que se tente

Segredos são revelados

Quero meus segredos comigo

Poupo ao mundo o que me é mais visceral

Pois não há merecimento na verdade

E depois ?

E depois que os amores passarem ?

E a paixão esfriar ?

Os poemas ainda estarão vivos

Os poemas serão eternos

Mas os sentimentos são voláteis

E são poucas aquelas que merecem a eternidade

Amigos comuns

Desejos comuns

Mulheres comuns

A felicidade é comum

A reflexão é incomum

E toda reflexão leva a tristeza

Se não levou

É por que ficou na superficialidade

Agora vivo a superfície

Agora vivo a aparência

Abdiquei do meu velho universo

E procuro as sombras

Aqui fica meu refugio

Para que das sombras

Eu seja apenas um observador participante

Sabendo tudo sobre os que me cercam

Mas não deixando nunca

Que saibam algo sobre mim

Como Dorian Gray escondia seu retrato

Escondo minha ilha

Escondo minhas ruas

E por mais que minha alma se torne grotesca e assustada

Ninguém poderá vê lá

Pois aqui se encontra

Não diria desse texto um poema

Não diria desse texto uma confissão

Não diria desse texto algo meu

Mas diria desse texto apenas uma explicação

Pois á quem não acredite que existam pessoas que escrevam só para si

Eu escrevo

E de sobre aviso já digo

É de livre e espontânea decisão passear por meus textos

É de livre e espontânea decisão conhecer as atrocidades que escondo

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Just in the wind

Um pouco como o vento
Como sentir cortando o horizonte
Tão perto do chão
Tão rápido
É sentir se livre
Livre de verdade
Se transportar dos medos
Das coisas comuns
Das ideias ridículas
Dos covardes
Estar em outro patamar
Ser um pássaro
O sangue que sobe
Que ferve cortando o vento gelado
Pura ousadia
Brincando com o espaço
Atrevido atravessando nos cantos
Indo por onde der e puder
O blusão e a calça jeans se fundem com o aço
O homem de aço
Inquebravel
Corpo fexado
Sentido o motor entre as pernas
Ninguém alcança
Ninguém pode com ele
Com o homem de aço
O dono das ruas
O mestre das curvas
O amigo do vento
O fugitivo da chuva
Ninguém pode com ele
Com o homem de aço!

terça-feira, 2 de junho de 2009

É cego o que se esconde!

Ser o que esperam
Sem saber o que acontece
Seguindo um padrão
Não vou não
Causando uma impressão
Tira fora o coração
Seguindo um padrão
Não vou não

Se é o que se acredita
Se acredita no que se vê
Se pensa no que se sente
Esconde o sentimento
E segue o que se vê

É cego o que se esconde!

Quero fechar os olhos
Abrir de novo
Ver diferente
Imagens atraem
Causam ilusão
São água no asfalto
Em dias de sol
Estar só nem sempre é solidão

Tudo que parece
Nem sempre é
Some na noite

A maquiagem desaparece
Na hora de lavar o rosto
A realidade desce
Com a cabeça no travesseiro
Em uma reflexão

Se maldade é sinonimo de força
Autoridade de autoritarismo
Se inteligencia é má conduta
E má conduta é compaixão
O que ficou então ?

Padrão e lógica
Em vão
Sentidos deturpados

Tento recobrar a razão
Sem ser um produto

O que não se vende
Não tem valor

Sem valor
Brega e ultrapassado
Sigo meu coração

domingo, 31 de maio de 2009

Atenção

Um matemático um dia
Podia contar
Podia somar
E chegar a um resultado
Descobrir quantas horas e minutos
Dias e semanas
Meses e anos
Perdem-se em coisas
Que não mereceriam
Nem por um segundo
Um pouco de atenção

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Escuro

Não da pra escrever 

Não agora 

Som alto pertubador 

Um quarto 

Escuro e sem portas 

Quatro cantos 

Sem móveis 

escuro, muito escuro

Confuso demais 

No centro 

Sem enchergar o teto

Correndo no escuro

Caindo todo tempo 

O corpo todo doi 

Não da pra escrever 

Não agora 

domingo, 24 de maio de 2009

Uma volta

Quando penso

O quanto posso ou não

É tão maior

Uma volta 

O mundo muda

Amanha o sol nasce diferente

Então escute 

São notas

Uma mentira

De quem nunca te enganou

São notas

Que fazem acreditar

Nada alem

Tem uma ordem eu sei

Mas só escute

Nada mais

É só isso

Posso te dar só o que tenho

Enxergue o som

É tudo o que  tenho 

Meus pés colados

Tento e tento

Presto atenção

Corro atrás

Não fiquei parado

Qual problema então

Qual problema das palavras

Suas formas e seus acentos

Não funcionam

Meu texto pobre e coloquial

Talvez seja assim e pronto

Coloquial demais

Pouco lustrado

Não sei outra forma

Não sei esconder

Quando falo e escrevo

Minha alma esta ali

Podia ser diferente

Poderia ser outra coisa

Mas meus pés colados

Vem do chão

Por mais que use sapatos

Meus pés colados

Vem do chão

sábado, 23 de maio de 2009

Já não volto

Já não volto mais
E nem posso ficar muito tempo
Estou no caminho
No meio
Reabastecendo
Pra então seguir
Fazendo as provisões
Enfrentando o medo
Poderia ficar
Seria fácil
É comum , é mediocre
Não, eu não quero ficar
Vou atrás do inconstante
Uma guerra de tricnheira
Por cada pequena coisa
Pra quando voltar
Trazer a vitoria
Minha história
E não só ser
Fruto de um sangue
De um pai e de uma mãe
Reprodutor de uma idéia
Filho de uma cidade
Reconheço o meu passado
Mas a estrada de volta vai acabando
A cada passo para frente
Ela ja não existe
É minha mente
E cada metro é um pensamento novo
Regressar é não progredir
Cada livro
Cada viagem
E já não volto mais

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Vinte minutos

Eu ia agora
mas você chegou
vou esperar vinte minutos
eu preciso desse tempo
eu preciso te contar
o que me tem acontecido
o que tenho feito
por mais besta que seja
preciso saber de você também
das suas histórias
de como tem feito as coisas
se seu jeito mudou
se continua a mesma

É eu ia agora
mas não sou tão auto suficiente
Não vivo bem tão ausente
Não sou isso tudo
eu preciso
eu preciso muito
de saber de voce
se a gente não tem nada a ver
se a gente se parece muito
aprendi a não me importar
aprendi a deixar meus medos
entreguei meus pontos
te contei meus segredos
e mesmo que não sejamos mais tão confidentes
ainda queria te contar
de quando acordei
ate a hora de dormir
é eu preciso ficar aqui
nem que seja só
por mais vinte minutos

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Stop Crying your heart out

se tudo pudesse
começar de novo
é só o que eu queria
poder te ver na rua hoje
como se nunca tivesemos nos visto
como se fosse o primeiro olhar
eu te daria um oi
te chamaria pra comer 
e não te deixaria ir embora jamais
te veria na rua
e nem imaginaria
o que nunca teria acontecido
talvez você pense
que eu até poderia
te deixar passar despercebida
mas eu sei
é eu sei
que isso não aconteceria
como no primeiro dia
em que não te deixei passar
e nem imaginava tudo que estava por vir
e talvez
pudesse ser diferente
como num filme
em que tudo termina bem
como um efeito borboleta as avessas
e uma música  
no final 
e no começo

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Garbage

Eu penso e sou paranóico
escutar Garbage
ler alucinar e ver
apegado a nada
trilha transpoiting
é só mais uma vez
é só agora
Sem nada mais
So pra escutar
ler e correr
estar fora daqui
um jogo
diferente hilariante
eu jogo com as coisas
sem poder nem sempre
nem sempre ganhar
nada mais
eu penso e sou paranóico
penso parar o tempo
existir aparte
o que posso fazer
paralelo por alguns segundos
segurando com os dentes
dependurado em uma sacada
pra ver qual é o extremo
até onde posso ir
sair de tudo
voltar acordado
num balde de gelo
surtando
recomeçando ligado
é toda adrenalina
que faz acordar

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Banal x)

Sabe é aquela hora

Dá aquele frio batido

De que todo mundo fala

Quase trava o peito

Demorei a entender

É o símbolo do amor

O coração porque ele gela

Esse poema batido

Escrevo pra constar

Eu estava errado

Os sentimentos

Não estão na cabeça

Estão num músculo

Funcionando

Involuntariamente

E sabe

Não se pode

Não se pode mesmo controlar

E essa minha constatação banal

Que muitos ja fizeram antes

Essa constatação banal

Presente em qualquer musica simples

Eu precisei esscrever

Eu precisei falar sobre

Pra constar

Pra dizer que um dia eu também já senti

Porque sou humano

E como humano sou mais um

Um ser banal que se apaixona

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Foi assim

Falo o que eu quero

Nasci com pé fora de casa

Meu medo é não temer nada

E você

Não da pra entender

Suas consultas e os seus medos

Seus desejos e o seu apego

Aflições e segredos

 

Aprendi a correr sozinho

Meti a cara

Só pra ver como era

Fiz tudo rápido

Do jeito que quis

E você

Com cuidado em tudo

Longe do escuro

Alergia, injeções

Educação é tudo

Eu com meu escudo de mundo

Protegendo-me de tudo

Minhas roupas ganhadas

Meias rasgadas

Amigos diferentes

Super comuns

Fora dos padrões legais

Tentamos ser normais

Mais não conseguimos seguir os comerciais

 

Gosto da luz do dia

Acordei pra ver o sol nascer

Suas janelas estavam fechadas

Estava gripada

Respirei fundo

Mastiguei alguma coisa

Você tomou remédios

Ligou a televisão no seu programa

Com seu pijama

Aqui o canal é aberto

A programação é fechada

Você me conta do seriado

Parece que não temos a mesma tv

 

Saio pra ver

Minha rua

O que tão fazendo

O que ta acontecendo

Você não conhece seus vizinhos

Sua alergia empola tudo

Repele o mundo

Seu refluxo alguém inventou

Da onde venho refluxo não existe

Ninguém nunca criou

 

Me visto a caráter

Short e chinela

Vou ao barbeiro

Peço o de sempre

Tem festa de noite

Todo mundo vai

O pai de alguém leva

Pra voltar

Voltamos a pé

Do jeito que der

 

Minha calça jeans nova

Uma camisa massa

O perfume de um tio

O tênis de sempre 

só que lavado

 

Nós somos os melhores

E essa noite o bicho vai pegar

Com a gente ninguém pode

 

Te observo de longe

Seu cabelo de salão

Suas roupas de marca

Sua marra

Chega depois

Poe inveja nas outras

Pouco me importa

Você quer que eu seja  igual

Não sou

Meu sobrenome é desconhecido

Como qualquer outro

Mas meus olhos brilham

É eu sei

Brilham como você nunca viu


Eu to aqui

Só esperando algo acontecer

Se você vem e se aproxima

Espero que saiba

Não quero te ver sofrer

Não  venha chorar

A gente dança hoje 

Vai pro canto

É uma noite só

Amanha meu mundo nasce de novo

Sua rinite ataca

E eu saio pra quebrar alguma vidraça

sexta-feira, 1 de maio de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

Um pouco de tudo

Contra a corrente
tudo que me é novo
quanto mais nado
mais fácil fica
um poco de tudo
do meu pai
da minha mae
muito do que quero
do que sonho
do que espero
todo de como vejo as coisas
entendo o mundo
entendo as pessoas
sou algo novo
procurei algo novo
não sei o que vai dar
não quis me deixar levar
o caminho comodo pra trás
um caminho mais arduo pela frente
e no fundo é isso
um poco de cada
muito do que acredito
totalmente do que espero
somos
como diz o cartaz
do tamnho dos nossos sonhos
quero pra sempre sonhar
pra sempre acordar
perseguir os sonhos
pra só então dormir

domingo, 26 de abril de 2009

Agora

Algum lugar
qualquer lugar
Pra sair daqui
Não tenho idéia
Nem sei se a estrada é grande
Só queria sair
Ir agora
Antes que percebam
Que notem qualquer coisa
Bem longe
Onde não tivesse explicações
Ninguém me conhecesse
Tudo fosse absolutamente novo
só mais um
desconhecido pelas ruas
se eu morresse ali
Só um indigente
Nunca iriam saber
A história passada
toda suposição
ia ser tudo assim
Uma lenda
Não tenho nem idéia
Só quero que seja
Bem longe daqui
A Kms que não me façam lembrar
Quem mesmo eu sou
tudo novo
Talvez até um nome
Talvez uma profissão
Passado apagado
eu vou agora
antes que possam notar
antes das explicações
da rotina
eu caminho
pra todos os universos
que estão me esperando
quem mais eu poderia ser ?
onde mais eu poderia estar ?
eu vou agora
eu vou saber

domingo, 19 de abril de 2009

Sujeira

Ta tão baixo
tá baixo demais
é otra coisa
não é o mesmo
é otra coisa
tá baixo demais
como chegamos aqui
doi nos meus ovidos
sem noção
parece um pesadelo
ta baixo demais
fomos ao bueiro
nadamos no esgoto
tão distante do que era
fui pra fora
fiquei sujo
ta distante
é otra coisa
o que esta em volta
o que é isso agora ?

sábado, 18 de abril de 2009

Do mesmo lugar

Poderia até falar sobre
Ou gritar 
Não teria voz
Ficaria rouco 
Até nem poder falar 
Não conseguria 
Procuraria palavras
Sem encontrar 
Sem aproximar
Pedirei então 
Ao pássaros pra cantar 
Você vai entender 
E vai acreditar 
Porque vocês vieram 
Vieram de um mesmo lugar 
Eu sei e sempre soube 
Você não é qualquer uma
Vocês vieram de um mesmo lugar  

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Alguém se escondeu

como foi ficar assim

como virou isso

Imensa capacidade

Mente cansada

Pouca dopamina

Sem estar entorpecido

Não há nada

O dia inteiro sorrindo

É a máscara

É todo o torpor

Que cai em um minuto

Basta estar sozinho

Todos os fantasmas

Começam a questionar

O que será?

e o que se tornou?

Quando vejo

O quanto me roubaram

Quanto custa a calmaria

Alguém grita aqui

Alguém afobado

Alguém que se escondeu

Que não conseguiria

Não agüentaria

Toda a porcaria

Toda essa droga do dia a dia

O que ele faria?

Será que ainda vive?

Sua face era corada

Não pedia desculpas

Dizia o que queria

Lutava pelo que acreditava

Mas agora se escondeu

Será que ainda vive?

Podia voltar..

Pra sepultar de vez

Esse ser anêmico

Que tomou seu lugar

Esse ser anêmico

Que abaixou a cabeça

Esse ser anêmico

Que se sentou no canto

Ele volta

Quando voltar o fogo

Tudo que é caloroso

Para incendiar os lugares

Queimando os cantos

Transferindo vida

A quem apenas existe

sexta-feira, 10 de abril de 2009

No name

Ele não tem nome
é só um estranho na multidão
não tem ninguém pra ligar
sem lugar pra voltar
Ninguém sabe quem é
Ele não sabe
É só um cara
Passou pediu um café
Pagou e foi embora
Ele não existe
Não é bonito e nem é feio
Não repararam
Levava algo precioso
Valor duvidoso
Andou tranqüilo
Atravessou a rua
Não tropeçou
Uma roupa discreta
Entrou no ônibus
Apertou um botão
Mandou pelos ares
Explodiu muita gente
Talvez eles tivessem alguém pra ligar
Talvez eles voltassem pra algum lugar

sábado, 4 de abril de 2009

Sou o ilusionista

Fecho os olhos
aguento a dor
sou o ilusionista
abro um sorriso

chamo pra sair
e de um outro lado
e lá dentro
está outra pessoa
que não chamei pra sair
que se contorce para ser um ator
pra fazer da própria vida
um grande teatro!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Mas e aii..

Você sente minha falta
mas e aii
o que somos então ?
sera que dá
sera que não tava mesmo na hora de parar
eu também sinto
fala das conversas
falta do seu jeito
de seu sorriso

mas e aii
a gente faz só o que quer ?
falta quer dizer amor ?
talvez estar longe
possa deixar sentimentos amenos
enxergar com mais clareza
sofrer de longe
talvez seja só isso
estar longe
e cada um seguir
da forma que lhê convem
talvez não esteja tão afim
de viver essa carga explosiva
fingindo por fora
enganando por dentro

mas e aii
queremos outras pessoas
correr a vida
não acabar assim tao cedo
eu quero o inconstante
diferente
fogo mexicano
sinto sua falta sim
mas a o grão precisa morrer
pra planta crescer
deixa morrer então
e vamos crescer

Se vale mesmo a pena

Nem sei se bom
Nem sei se ruim
Sei que hoje não durmo
Vou deitar e não pregar os olhos
Beber água
Voltar pra cama
Ficar revirando
Hoje não durmo
Já sei de ante mão
O que você me disse
Eu finjo que não importo
Que tudo já passou
Mas a verdade
É ficar acordado
Uma noite inteira
Pensando sem chegar á lugar algum
No máximo um sonho
Que me fará acordar
Pensar mais ainda
Vou acreditar no seu caráter
No seu tom profético
E vou ficar
Sem saber mais de nada
Depois de uma noite toda
Depois de um dia tão bom
Espero ser só hoje
Espero acordar
E saber muito bem
Bem ao certo
O que devo fazer
Embora eu já saiba
E sinta
Cabe decidir
Se vale mesmo a pena

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Grande dia

Já logo de manha
tudo vai pelos ares
eu sabia desde cedo
eu nao queria atrapalhar o meu dia
nao ia ser comum
ia ser um grande dia
ja tinha nascido pra ser grande
começou depois do meio dia
começou já tarde
porque ia ser longo
ia ser bom
não ia dormir
pra não querer acordar diferente
foi tudo de uma vez
a cada segundo melhor
foi o grande dia
a musica não parou
eu escutava alto ate tarde
era quase meia noite
e eu aproveitando os últimos minutos
porque nao podia
nao podia deixar acabar
o grande dia

quarta-feira, 1 de abril de 2009

domingo, 22 de março de 2009

As Horas

Quando o dia não é tão claro
Quando o sol não brilha tanto
Quando ninguém sai de casa
Alguma coisa está estranha
Não se sabe o que é
As nuvens escondem o céu
E é pouco ou é muito
Todo o tempo
São as horas
É muito, é quase nada
Quando cai no fim da tarde
É a chuva nas escadas
Escorrendo como lagrimas
Descendo até o chão
Deixando baro nas estradas
Quando o rio se eleva
Quando ela está sozinha
Quando a cena se faz
As horas não passam mais
Suicida em desilusão
Imersa nas águas
Todos estão em casa
O rio corre sozinho
Não é um azul claro
São águas turvas
De um marrom profundo

sexta-feira, 20 de março de 2009

Layla

Eii Layla
você acordou
depois de mil anos
se sente tão pequena
tudo é tão diferente
fica alucinada com o som
dança como se nunca tivesse dançado
acredita em tudo
Eii Layla
o que você poderia dizer
tudo é tão diferente
você se sente tão pequena
há um céu e um inferno la fora
e aqui nada acaba
o que você diria
talvez no seu mundo pequeno
talvez soubesse
aqui ninguém sabe nada
tudo reluz
nada é prata
tudo é lindo
toda mentira
nada tem valor
não vale ouro
mas vale muito
e você dança como ninguém
aqui nada acaba
depois de mil anos
Eii Layla
tão pequena
diferente e alucinada
toda a ilusão
nada depois do portão
o brilho da luz
que pisca no teto
ofusca seus olhos
o que te deram pra beber
toda verdade
ninguém sabe nada
você acordou
e dança
é só música
a mesma de antes
as luzes mudam
os rítimos mudam
mas o dia ainda termina
e talvez seja melhor
depois de alucinar
como a mil anos
voltar então a dormir

quarta-feira, 18 de março de 2009

casa

Quando perguntam
a resposta é sempre igual
eu vejo tudo passar
tudo acontecer
e continuo do meu jeito
pode tudo acabar
do meu jeito
é o que quero
e continuo
e não importa o que aconteça
não sei quem esta nos cantos
não sei o que dizem
sobre o que estão falando
faço minhas brincadeiras
tenho minhas conversas
volto pra casa
minha realidade
só minha
meus planos milimétricos
no final é só isso
planos organizados
mesmo que na confusão
nas conversas
mesmo que pareça
toda convergência
tudo sempre volta
do jeito que quero
que preciso
e nada fora dos limites
de volta sempre
a segurança da minha casa
eu moro dentro de mim mesmo
eu sou meus planos e nada mais
eu sou meu caminho
e nenhum desvio de rota

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