quinta-feira, 24 de junho de 2010

Domingo sangra

Andando por bairros desconhecidos
Procurando ver outro mundo
Mas é a mesma cidade
No final rodamos em círculos
Nada que nos transporte daqui
Nenhum pássaro que canta
São pombos doentes
Reproduzindo em estruturas de concreto
É uma anomalia
Ferida aberta na terra
De um vazio de domingo
Não conhecemos ninguém
Não há nada aqui
Criamos um calendário
De felicidade nos dias úteis
Adaptamos nossas almas á loucura
Ao ferro e ao aço
Não há o que fica
Somos a ausência constante
Escondendo em um movimento frenético
Não há nada
Os domingos são a prova
Quem agüenta permanecer em casa
Domingos sangram
Domingos tem luz rebatida
Um sol mais fraco
Domingo não brilha
Não conhecemos ninguém
Na segunda nós salvamos
Pensando o que fazer no sábado
Eu não te tolero
Eu não me tolero
Não nos agüentamos
Um só momento de solidão
Desespero suficiente
Nós não podemos pensar
São tantos nãos
Pombos não cantam
Cagam no concreto
Pombos doentes e fedorentos
Trazem pragas
Fomos nós que criamos
Mas ate eles somem
Em um dia de domingo

Um comentário:

Marco H. Strauss disse...

Domingo é um dia chato por natureza; cabe à nós melhorá-lo. Tenho muitas histórias de "domingo", da mesma forma tenho muitas decepções de domingo. Prefiro ficar com as histórias, aquelas que poderia contar para qualquer um. São histórias que precedem um dia qualquer de trabalho, histórias que precedem a segunda-feira.

Se quiser dá uma passada no meu Blog, fica a vontade:
http://marcostrauss.blogspot.com/

Espero que possamos voltar com o projeto do subestação quando tu tiver mais "livre". Quando quiser estou por aqui, foi bom aquele tempo que tínhamos postagens e muita discussão, quando puder e se um dia tiver vontade conta prontamente comigo. Abraço meu velho.

Outro começo de noite

Outro começo de noite