segunda-feira, 16 de março de 2009

Subir pra voltar

O que sufoca
que prende
que não deixa expressar
há tempos não sei dizer
são pensamentos práticos
idéias objetivas
algo falta
nesse sufoco
que prende
que levou algo
deixou essa exatidão
lógica inconfundível
mágica desvendada
tudo por água abaixo
como se os panos tivessem caído
fim do espetáculo
mistério desvendado
sabemos a próxima cena
fazemos as contas
o que sufoca
que não deixa esboçar
além do que se pode ver
todo material que se pode tocar
não pegamos nas nuvens
então elas deixam de existir
não há imensidão
nem profundezas
só onde podemos mergulhar
não é bem fundo
superficial
exato cada suspiro
sem ar
sem poder mergulhar
os tubos de oxigênio
me dão horas exatas
minutos e segundos
é só o quanto posso
é só o quanto consigo
mergulhar bem raso
na superfície exata
desligo o ar dos tubos
e vou bem fundo
fundo no mar
nem sei
se vou subir pra voltar

sábado, 14 de março de 2009

Diferente

Eu desejei ser especial
eu não gritei na sua porta
não mandei flores
tentando ser diferente
não te liguei o dia todo
nem te esperei depois da aula
eu medi minhas palavras
tomei cuidado
tive medo
não quis te assustar
não quis ser como os outros
segui o meu orgulho
deixei pra trás meu coração
firme com a cabeça pra frente
hoje com dor no pescoço
eu devia ter olhado pra trás
ou pra baixo
tanto faz
te deixei ir embora
sem correr atrás
melhor se tivesse sido comum
me curvado como qualquer um
porque o orgulho
esse nunca bombeou meu sangue
e viver com orgulho
mas sem uma parte do coração
com certeza é algo em vão

quinta-feira, 12 de março de 2009

Não queria e nem podia

Agüentou firme
Engoliu seco
Deu um tapa nas costas
Perguntou se tudo estava bem
Deu um sorriso
Saiu decidido
Inventou um compromisso
Ele não queria ficar ali
Nem podia acreditar
Disse que estava tudo bem
Pensou em muitas coisas pra dizer
Não disse nada
Deu um sorriso
Continuou caminhando
Ele nem podia acreditar
Não tinha mais ninguém em quem confiar
Ele nem podia acreditar
Não soube o que dizer
Se fosse outro ele poderia bater
Ele poderia gritar
Ele poderia matar
Mas logo ele
A faca entrou seca
Não queria e nem podia acreditar
Disse que estava tudo bem e continuou a caminhar

terça-feira, 10 de março de 2009

Tempestade

Não precisa ter medo
É só o céu que cobre nossas cabeças
Não há nada de mais
É só água que despenca
Esse céu já foi mais azul
Essa chuva não caia tão forte
A brisa era mais suave
E os dias não eram tão pesados

Mas qual o seu medo
Os raios são feixes de luz
O estrondo é só o aviso
Eles dizem onde vão cair
Eles dizem quando vão cair
Sabíamos da chuva
Sabíamos de tudo
Não quisemos acreditar
E agora ela cai forte
Você fica com medo
Como se não soubesse

Os raios são feixes
Estrondosos e luminosos
Eles nos disseram

Anunciou-se no tempo bom
Podíamos ter corrido
Ficamos pra ver
Toda chuva que desaba
Todo o vento pesado
Estamos no meio agora
A brisa virou enxurrada
Encharca nossos sapatos
Mas nos sabíamos
Vimos e esperamos intactos a tempestade

Não há razão para medo
Sem saber por quanto tempo mais
Continuaremos encharcados
Desafiando as previsões
Talvez a gente ate possa
Caminhar de tarde embaixo da chuva

sábado, 7 de março de 2009

Street spirit

Não acredito em tudo
mas sei que é verdade
meu espirito de rua
não se deixa enganar
Eu não acredito em tudo
mas hoje é um dia especial
eu sei que pode ser diferente
meu horizonte azul
eu vou dormir acreditando no amanha
eu não sei como
mas vou acreditar
talvez não seja tudo
meu horizonte é azul
é diferente
meu espirito de rua
me fez acreditar
eu estou certo
eu sei que estou
não tenho as certezas de agora
mas posso acreditar
e talvez acreditar
seja um poco como vencer
no meu horizonte azul
eu aprendi a confiar
enxergando longe o que quero ver
meu horizonte
não se esconde na neblina
eu quero acreditar
eu preciso acreditar
meu espirito de rua não se deixa enganar
ele já caminhou e sabe como lhe dar
não acredito em tudo
mas dessa vez eu sei que é verdade
eu tenho um sonho real
eu consigo enxergar
o espirito das ruas não se deixa enganar

quinta-feira, 5 de março de 2009

Instinto

No fundo é todo o instinto
Tudo sangra
Cumpre á profecia
Negar o sangue é ser infeliz
Aceitar é ser contradição
Não que não houvesse amor
Ou que houvesse maldade
De alguma forma estava ali
E não pude explicar
Sem hora nem lugar

Salta as veias e mostra a face
Não quis
Não quis ir embora
Nem mesmo dizer tchau
Mas coisas acontecem
Fervendo
A droga mais forte
Alucinação mais quente
Batendo forte
É mais poderoso

Veia escaldada
Se arrebentando
Não quis trair
Foi embora
O mal estava ali
Sem poder controlar
Não queria fazer chorar
Por mais estranho que fosse
Disse adeus por amor
Não queria mal
Sabia o certo
Que não podia dar lhe o que procurava
Sangue sem lugar
Não pertence a ninguém
Só sabe de si

se realiza nas esquinas
contradição
Sem felicidade completa
Meio a meio
Metade alma metade instinto
Felicidade animal
Anda por onde o vento sopra
Onde houver sol
Onde os romances são o começo alucinado
Nunca o meio
Jamais o fim

terça-feira, 3 de março de 2009

Naquele ritimo

Você canta suas canções
É tudo o que posso ver
Naquele ri timo que conhecemos
Não usa o telefone
Nem uma ligação
Você canta sua canção
Distante de mim
Aquela mesma nota
Eu toco aqui
São km´s ou metros
São dias ou semanas
Não importa
Dou um sorriso ao lembrar
Tudo o que posso ver
Eu olho e vejo o som
Eu escuto e te enxergo
Fecho os olhos e posso sentir
Se não liga nem escreve
Não importa
É tudo o que posso saber
A cada pequena coisa
Nossa música está ai
Eu daqui posso sentir
Nossa música esta ai
Sempre terminando com a mesma nota
Eu posso sentir
Nossa música esta ai

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Todos os lugares são seus

Você não esta sozinha
Pode se levantar
Não tem lugar pra ir
Mas todos os lugares são seus
Apenas continue forte
Não há nada a dizer
É só o que há
Tão distante
Não pode me escutar
As portas não estão fechadas
Você pode se levantar
Continue tentando
Apenas fique forte
Eu sei
Você não tem lugar pra ir
Eu sei
Não há consolo há dizer
Não tenha duvida
É, eu tenho certeza.
Todos os lugares são seus
Não precisa ficar ai
Não posso te dar nada
Eu não tenho nada
Sozinha
As portas se abrem com sorrisos
Tão distante
Não pode me escutar
Tentei não me atrasar
Cheguei e já estava caída
O que quer que tenha acontecido
Talvez eu não entenda
Tentei não me atrasar
Podemos mudar essa verdade
Podemos ser nossa própria verdade
Você começa de novo
A cada dia que levantar
Todos os lugares são seus
Tudo esta em suas mãos
Você não esta sozinha
Não precisa de mais nada
Eu vi em seus olhos
Você precisa de você
Diga sim
Aceite sua coragem
Ela quer continuar
Continue forte
E faça sua verdade
Talvez não seja tarde

Pra uma amiga cuja qual não colocarei a identidade ;)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Grande festa

Chegou aos poucos
Entrou de penetra
Enorme festa
Foi logo tomando espaço
Ocupou todo o lugar
Dançou a noite inteira
Como se não houvesse mais nada
Seus sapatos doíam nos pés
Ficou descalça e dançou
Como nunca se tinha visto
Aquele lugar era só seu
Tomou para si todo o espaço
Entrou de penetra
Mandou na festa
E sem saber quem era
Ou o que queria
Estávamos todos ao seu lado
Dançávamos como se não houvesse amanhã
O lugar estava enfeitiçado
Quem não sabia os passos aprendeu naquela noite
Quando o sol saiu quis ir embora
Corri até a porta
Disse que não podia
Me perguntou porque
Estava alucinado
Sem poder responder
Só sabia que não podia
O feitiço estava ali
Ela não podia sair agora
Sem entender deu um sorriso
Chamei pra dentro
E desde então dançamos
Nossa noite não termina
O sol só sairá quando fecharmos os olhos

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Minhalma

Nem uma sombra
o que me acompanha ?
já me perdi das sombras
nem mesmo um reflexo
tudo se foi há tempos
sem companhia
o que me conforta são minhas mentiras
vivendo sem alma nas esquinas
eu não olho pra trás
não tenho raiva
não tenho mais nada
sem rancor sem nada
quem comeu minha alma ?
o que importa agora
meus olhos estão vazios
não há nada o que enxergar
meus sonhos são lembranças
tudo se foi
nem uma sombra
nem a companhia de mim mesmo
pelas ruas sem vida
abandonado em mim mesmo
partiu sem querer voltar
quem comeu minha alma ?
quando ela se foi
se foi de uma vez ou se foi aos poucos ?
deus os ombros ou virou a face ?
se olhou me olhou e eu não pude observar
a cabeça estava baixa
não havia nada alem do chão
hoje estou muito além
muito além do chão

Outro começo de noite

Outro começo de noite