quarta-feira, 21 de abril de 2010
Dividindo a historia
Escreverão algo fantástico
No alto do parapeito de um prédio
Pessoas sairão ás ruas
Abrirão as janelas das casas
Em plena quarta feira
O mundo vai parar
Perceberão que algo mudou
Colocando abaixo
Tudo que estiver pela frente
Com uma violência que emana do amor
Ninguém se baterá
Coisas não são pessoas
E quem tentar ir contra
Residirá no fosso do novo mundo
Com todo o cuidado e respeito
Dado pela fraternidade
Os submergidos tomarão barcos
Os que se afogavam vão nadar
Uma nova ordem surgirá
Na plenitude de realizações irrealizáveis
Homens se sentirão humanos
A ordem da família sucumbirá
Como base que sustentava a diferença
E todos serão um só
Independente de qualquer desavença
Saberão significar igualdade
Será a superestrutura de um sentimento simples
Mãos se unirão
Demolindo monumentos
Destruindo estátuas
Esquecendo heróis
Pois serão todos vencedores
Dividindo a historia
Entre contra senso e razão
Enxergarão o que de básico existe
Encontrarão o que de importante foi esquecido
Dentro de uma caixa
O privilégio e o poder
O medo e a escravidão
Serão colocados
Para que seja acorrentada
Afundada em alto mar
Para que o caos jamais retorne
A superfície de quem pensa
domingo, 18 de abril de 2010
No começo
E algumas vezes
Tudo que se espera
É só não esperar nada
Com desejos reais
E preocupações comuns
Com sonhos pouco nobres
E opiniões mal ilustradas
Pode ser que seja mais um em um milhão de mim
Que seja um brilho fosco
Fraco e escondido
Sem ter sido suficiente por mais de um dia
Não sabendo a historia de vencedores
De brigas em que vitórias despedaçam memórias
Sem saber que tudo foi perdido na batalha
O caminho segue tranqüilo
E talvez agora não tenha sido suficiente
Mas pra quem não se desespera
Vê em toda pequena coisa um recomeço
Pode esperar mais um pouco
Sem querer muito
Quem muito precisa pouco tem
São sonhos procurando
O que existe de mais simples e real
Para que a estrada não encontre o fim
Quando ainda deveria estar no começo
No piano
Esses dias eu ouvi no piano
Algo que não escutava há tempos
Foram notas de mãos com almas
Na harmonia de enfeitiçar o espaço
Não se enxergava nada
Dentro dos olhos de cada um
A profundidade de um vazio sem reflexos
Com o som entrando através das mentes
Imobilizando corpos atentos
Espertos a cada nota
Estávamos todos
Suficientemente longe
Ligados em um vinculo eterno
Não havia relógios
As luzes se direcionavam ao mágico
Que tocava e tocava
Entrando em transe
Em uma hipnose de beleza e paixão
Aparentemente sem motivo
Não vou fugir de novo
Indo por becos que conheço bem
Inventando motivos
Qualquer coisa para não ficar
Já não quero mais
Um caminho tão solitário
Todos dizem o que devo fazer
Mas só acredito no que enxergo
E dessa vez quero ficar
Meus passos trilham esperando um motivo
E talvez seja só sentar e ver o que chega
Pois toda beleza
Acontece aparentemente sem motivo
Sobre verdade
Sobre verdade
Nada sei
Mesmo que tivesse vivido cinco vidas
Que tivesse lido todos os livros
Ou conhecido o mundo inteiro
Não sei o que espero
E vejo em toda resposta fácil um possível erro
Minhas contas não são boas
Minha lógica contraditória
Guio-me por um sentido de instintos
Tentando encontrar algo no espírito
Que ainda não tenha sido moldado pela sociedade
E não sabendo bem um porque
Em decisões pouco racionais
Vou traçando caminhos
Escolhendo pessoas
Evitando encruzilhadas
E isso chamo de sorte
Que nada tem a ver com verdade
Como sendo formula certa para vida
Cada coração tem uma demanda
Sabendo suas necessidades
Elencando suas prioridades
Eu não sei bem porque
Talvez seja pouco homem e muito animal
Talvez acredite em mitos e lendas infundadas
Mas sigo reto o que acho certo
E ninguém molda uma alma selvagem
Vi nos seus olhos a confiança
E me senti seguro
Nada há que me faça convencer do contrario
Enquanto enxergar meus instintos
Encontrarei-te como um porto seguro
Sendo parte inconfundível
De um clã restrito
E não se engane
Isso é amizade em uma outra dimensão
Muito distante do sentido utópico que os homens deram
Isso é uma amizade na sua acepção mais completa
E agora com esse poema mal escrito
Assino o meu contrato
E faço minhas essas palavras
Sei que não é lá muita coisa
Mas você tem
De mim tudo o que precisar
O que eu não puder fazer eu tento
Pois não há nada que eu não consiga
Com a força da confiança
domingo, 11 de abril de 2010
Se o acaso existe
Nada se guarda
Levados ao acaso
De um dia qualquer
Alheios a tudo
Não havendo nada novo
Nos planos infalíveis
De como traçar a vida
Algo diferente então acontece
No lugar impróprio
De um jeito não planejado
Não esperado
Então de repente
Lentes caem sobre os olhos
Focando o impossível
No fim de uma festa caída
Com olhares trocados
Enxergando tudo o que nos faltava
Voltamos para casa
Incompletos pela primeira vez desde sempre
Sentindo uma falta
Que nossos controles não completam
Mas se o acaso existe
É para mostrar o caminho
Vou ate o fim
Para te encontrar de novo
E não ir embora mais
sábado, 3 de abril de 2010
Barcos de aço
Pedem passagem
Mostram caminhos
Seduzem andarilhos
Demônios constroem casas
Nos espaços vagos da mente
São momentos de sorte em erros torpes
São sinais de cansaço
São sombras de desilusão
São chamados instantâneos
De anjos maus
Atormentados pelo tempo
Enlouquecidos por vagar no infinito
Procurando só um espaço
Só um pouco de dor e desânimo
Terrenos férteis para sementes de espinho
São ervas daninhas que crescem rápido
Que não se contentam
Que não se firmam em pouco
São fungos de um tomate
Contagiando a plantação
Só a mente sã
Fiel em suas convicções
Forte em sua fé
Guerreira em sua luta
Corajosa em sua morte
Temente às ilusões
Aos reflexos distorcidos das coisas
Consegue combater aqueles que vagam
Mantendo sua tripulação
Atravessando tempestades
Vendo no céu os feixes de luz
E tendo plena convicção
De que mais cedo ou mais tarde
Os raios vão todos cessar...
A mente sã vive na calmaria
Veleja longas distâncias
Demônios tomam barcos destroçados
Sentindo a tempestade em qualquer vento
Demônios não têm porto e só esperam o dia de afundar
Mentes sãs sabem que nunca vão a pique
Mentes sãs são eternas e otimistas
Têm portos e barcos de aço !
Louco
Acredita que as segundas serão felizes
Acredita que há sempre algo maior
Que existem sonhos reais
Que no final tudo vai dar certo
Ele é otimista
Pensa que as pessoas vão melhorar
Que a cada dia menos gente passa fome
Que a justiça se tornará realmente justa
Ele tem fé
Fé no amor
Fé nas crianças
Fé nas famílias
Fé em Deus
Ele é louco e completamente louco
E não sabe por que todos o chamam assim
Ele só pensava ser igual a todo mundo
Ele vive e viaja em uma reta paralela
Ele espera alguém, um amor,
Ele lê livros de historias fictícias
Ele é louco e vive em outro mundo
É feliz e sorri em meio ao desastre
É cego e sempre enxerga a luz no fim do túnel
É surdo e sempre escuta palavras de apoio
Encoraja-se sempre
Pra vencer não sei o que.
Só pode ser louco o coitado!
Favor
Que eles não me atingem mais
Não tente alcançar um coração
Ferido com suas próprias mãos
Estou longe
A linha tênue foi se quebrando
Aos poucos é verdade
A custa de muita afilção e muito tempo
Mas não existe espírito que não se canse
E agora o que vejo é uma nova rota
Olho para trás com o pesar de um oceano
Mas as coisas são assim
E talvez alguém consiga explicar o porque
Ou dizer que poderia ter sido diferente
Mas não demos conta
Á hora é chegada
Não venha com melodramas egoístas
Não quero retirar historias da uma arca
Que fecho todos os dias
Não chore me pedindo pra ficar
Sua omissão pagou minha passagem
A culpa não é de ninguém
Mas lembre se sempre
E pelo menos uma vez
Escute minhas palavras fazendo um favor
Quando chamarem-me rebelde
Quando chamarem-me desapegado
Lembre do que foi real e só isso basta
Lembre-se da minha luta da coragem em resistir
De quando subi no muro enquanto ele ameaçava atirar
É a impaciecia eu sei
E todos erram
Mas coisas não desaparecem
Não deixam de existir
Lembre-se também
Do dia com a mochila pela rua
Acabei voltando aos chutes
É ridículo eu sei
É torpe
É medíocre
Mas na minha falta de senso
Não fui dos melhores
Fico por aqui e não falo de mais nada
Não me venha com choros
Não me faça querer ficar
Queira o melhor pra mim
Tente ver alem das ilusões
Uma vez que seja
Não sou dos que ficam
Minha vida é a estrada!
O revolucionário
Que não era assim tão humano
Que era algo mais
Escutei historias de um revolucionário
De um libertador sem igual
De uma coragem imbatível
Escutei historias de amor e redenção
Escutei uma outra historia de traição
Com sentidos deturpados
E interpretações malvadas
Fiquei sabendo de um herói crucificado
E de uma igreja que usou a memória da sua cruz
Que matou em seu nome
Que enriqueceu em seu nome
Que oprimiu mulheres em seu nome
Logo ele
Que não matou ninguém
Que ofereceu a outra face
Que entrou em Jerusalém
Montado em um jumento
Ele que perdoou uma prostituta
Ele que salvou uma adultera do apedrejamento
Que teve gratidão a sua mãe
Em uma sociedade de homens
Onde mulheres eram como nada
Ele estava muito a frente
E pregou a igualdade
Falando em seu nome
A religião prega através de homens
E relega a mulher ao segundo plano
É um outro Deus
Esse que eles defendem
Eles não falam e nem nunca falarão
Em nome desse verdadeiro rebelde
Desse herói e mártir
Que grita em meu coração
Que libertou multidões
Que lutou contra a opressão
Que pregou a humildade
Que é amor e igualdade
Meu Deus não se liga aos papas e seus relógios de ouro
Minha moralidade é cristã
Não é católica
Eu acredito ter entendido sua maior mensagem
Não foi uma mensagem de vencedores
De criminosos e heróis
Foi uma mensagem de redenção e caridade
De entender sobretudo o outro
Jesus cristo era socialista
Pregou todo um sistema
Sistema esse que só existe no amor
Sistema de inteligência e ciência
De livre arbítrio
Mas até isso transformaram em dogmas
A mensagem esta longe
Muito longe das mentes pequenas dos homens
Homens como eu
Macacos brigando por carne
Que usam dinheiro como urina
Demarcando suas posses
Submetendo suas mulheres e filhos
Jesus cristo é o espírito
De um mundo que não existe
De uma mensagem a ser seguida
E principalmente de uma liberdade sem igual
E da lógica
Pois lógico é defender o bem comum
O bem de todos
Mas os homens fazem escravos
E a igreja...
A igreja referenda a barbárie
E não me chamem ingênuo
Algumas coisas todos sabem
Mas precisam ser repetidas!
Outro começo de noite