terça-feira, 6 de julho de 2010

Não te quero aqui

Tantos erros que cometi
Eu não escutei
Não quis ver
Quem chegou com isso aqui
Eu não sei de mais nada

Te peço pra ir embora
Você não entende
Eu não te quero aqui
Não vou repetir

Enfio os pés pelas mãos
Sou um palhaço de circo
Não pondere minhas culpas
Eu te detesto
Não pense que vou mudar

Te peço pra ir embora
Você não entende
Não é só agora
Nunca volto atrás

Minha razão não existe
E você sabe
Sigo o que sinto
E você me cheira mal
Olho onde não vejo
Enxergo uma emboscada
Te dou menos um minuto

Não me pergunte
O porque de você ou de mim
Eu não sei
Eu não pretendo
Nem vou responder
Apenas acho que tem de ser assim
Talvez você encontre
Um físico no caminho
Talvez ele te mostre
A formula da vida
Mas meus desenhos são rabiscados
E minha mente é doente
Eu não sei contar
Sou o contrario
Não te desejo
Não te suporto
E não sei explicar!

O infinito

Dei uma vez parcela dos meus desejos
Permiti por um momento partes da minha verdade
Confiei por segundos
Alguns dos meus segredos
Esperei que tudo fosse guardado
Onde ninguém mais encontrasse
Acharam certo dia
Que com migalhas
Poderiam destruir um sonho meu
Mas não há quem consiga
Sou egoísta
Não me apresento a ninguém
Nas minhas contas
Não se acha um padrão
Deixo pequenas partes
Indivisíveis em planos
De uma outra dimensão
Entendendo varias coisas agora
Que não se ligam
Cuido para que nunca saibam nada
Quero levar a minha alma
Sendo minha exclusiva brincadeira
De me esconder em veredictos irreais
Haverá os que acreditam
Esses estão longe
Muito longe de mim
Haverá os que terão duvida
Esses estão suficientemente perto
Para que eu jamais estenda a mão
E haverão por fim
Os que não farão perguntas
Sintonizados em algo que não tem resposta
Esses caminharão junto ombro a ombro
Porque quem vive com o espírito
A muito abandonou a quimera dos mortais
E eu sou o infinito
A cada pequena coisa
A cada pequeno gesto
Eu sou o infinito

Mediocre

Infeliz momento
De se tentar ser
O que nunca se foi

Infeliz instante
De se prestar ao comum
Aos desejos e anseios
De qualquer um

Quem trai seus princípios
E acredita na maioria

Quem não enxerga a alma
E se presta ao desespero

Quem não se encontra consigo
Quem duvida da sua certeza
Um só segundo do erro
E o mundo virado
Gira mais rápido

O pesar das conseqüências
Seguindo a boiada
Passando pela porteira
Sem identidade
Quem vai para o abatedouro ?

É preciso fé para continuar
É preciso acordar
É preciso força para ver obvio
E paciência pra voltar atrás
O resto é comum
Mediocre!

Perto

As vezes eu só queria estar perto
Falar de alguma coisa inútil
Não me preocupando em ser fraco
Queria ter a coragem de chorar
Não fingindo enfrentar tudo
Sem nem sair riscado

Eu dava beijos de boa noite
Dou agora apertos de mão
Escutava historias e contava o que sabia
Era o meu dia
Não tinha segredos
Tento ser uma lenda
Montada no esqueleto de uma farsa

Já acreditei mais
E tive heróis
Só acredito em mim
Minha distancia aumenta
Cada dia caminho pra mais longe
Até onde não me possam encontrar
Não enxergo coisas bestas
De um passado recente
Como se tivesse sido
Tudo sempre assim

Reformulo minha historia
Apoiado no presente
Não fosse alguém me contar
Nunca saberia que um dia
Fui tão doce
Onde vou parar ?
Não tenho aonde chegar
Quem se aproxima e tenta o amor
Quem chega com esperança e sai machucado
Sou eu que aprendi a caminhar
Milhas e milhas a cada manhã
Distanciando-me de tudo
Só Deus em quem confio
E os anjos
Se é que eles existem
Afinal eles precisam existir!

Um segundo

Só lhe resta um segundo
Pra falar..
Nada importa agora
Não há o que se diga
Que se mude
Ou se invente

O tempo todo
Passa em um instante
Nós sabemos
E você estava lá
Você sempre está
Tenho medo de te perguntar
Eu não preciso pronunciar
Porque você cobra palavras
E eu te digo
Só lhe resta um segundo
Pra dizer...

Eu tenho medo de você
Já disse
De tudo que não posso controlar
E não sei porquê
É diferente
Não quero te perder por ai
Mas não me enrolo
E só queria saber
Só lhe resta um em sessenta
Pra me responder..
Me dizer que quer ficar
Ver a noite se abater sobre o horizonte
Em horas que passam voando
É só um segundo
Só uma vez que vou perguntar!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Se eu te disser!

Se eu te disser que o tempo leva tudo como areia
Assim como os seus medos
E se há segredos não existe então o que se guardava
Tendo a certeza de que vamos ficar juntos
Como partes inseparáveis de um pequeno grao
Do que cobre a praia com uma fina areia

Que um dia foi rocha imponente


Se eu te der um presente inesquecível

Se te colocar nas asas de um condor
E dizer que vamos voar
Avistando la de cima nossos anseios
Passando acima
Do que pensávamos nem poder tocar

É quase alguma coisa

Perto do que quero te mostrar

Uns dias passaram em que se podia fazer o infazivel

Umas noites amanheceram em que se podia contar as estrelas
Uma a uma
Sem se cansar

Mas quem diz que o tempo não volta..
Ou não sonha ou muito se engana !
Eu sei que esse futuro supera em muito o
presente
E que do passado se repete o que foi bom antigamente

Somos a realização do impossível
Um só átomo indivisível
E por onde quer que nós passemos
Construiremos outros elementos

Partes puras de castelos que se corrompem

Nós somos o amor fonte de tudo
Nós somos o desejo dos homens
E não há quem não coloque a cabeça no travesseiro
Querendo no fundo nos imitar

Que sigam nossos passos
E se vejam em espelhos invisíveis
sabendo onde vamos
Não há medo na estrada
Nem vontade de chegar
Maior que a de continuar
Talvez cantemos uma canção
Talvez esperemos a chuva passar

Se te empresto minha capa
Minha armadura e capacete
Porque minha proteção
Em um corpo ja não cabe
Minha alma precisa da sua
E sua alma precisa da carne

Chamam isso amor
Não sabemos o nome certo
Talvez seja exisitir ou viver
As coisas já não se separam
E quando eu digo te amo
Só uma coisa significa
Você nunca morrerá !

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Domingo sangra

Andando por bairros desconhecidos
Procurando ver outro mundo
Mas é a mesma cidade
No final rodamos em círculos
Nada que nos transporte daqui
Nenhum pássaro que canta
São pombos doentes
Reproduzindo em estruturas de concreto
É uma anomalia
Ferida aberta na terra
De um vazio de domingo
Não conhecemos ninguém
Não há nada aqui
Criamos um calendário
De felicidade nos dias úteis
Adaptamos nossas almas á loucura
Ao ferro e ao aço
Não há o que fica
Somos a ausência constante
Escondendo em um movimento frenético
Não há nada
Os domingos são a prova
Quem agüenta permanecer em casa
Domingos sangram
Domingos tem luz rebatida
Um sol mais fraco
Domingo não brilha
Não conhecemos ninguém
Na segunda nós salvamos
Pensando o que fazer no sábado
Eu não te tolero
Eu não me tolero
Não nos agüentamos
Um só momento de solidão
Desespero suficiente
Nós não podemos pensar
São tantos nãos
Pombos não cantam
Cagam no concreto
Pombos doentes e fedorentos
Trazem pragas
Fomos nós que criamos
Mas ate eles somem
Em um dia de domingo

A carcaça

Faz tanto tempo
Que talvez você não sem lembre
De uma época
Em que era o mais sensato de todos
O que aconteceu
Em que caminho se perdeu
Era o mais esperto
Norte das minhas decisões
Alguma tempestade silenciosa passou
Arrasou tudo
Deixou só os restos
A carcaça

Meu amigo
Talvez não considere
E não aceite meu modo de dizer
Já que ficamos formais
De uns anos pra cá
Mas no meu peito ainda pulsa uma saudade
E porque não amor
Substancia mais forte
Que perdoa erros
A verdade é a maior ajuda
O maior apoio
A melhor gratidão
Não sei em que poço você tem se afundado
Mas nunca é tarde
Eu já tentei te puxar
Você não vê
Você nega o obvio
Seu coração é nobre
Um nobre nunca perde o brasão
Não beba dessa água suja
Não procure o que não te pertence
Seu vôo tem sido tão baixo
Que já não te consideram um titã
Tem descido ao submundo
Tem trazido a peste

Meu amigo
Aqueles sonhos antigos ainda pulsam
Basta ter calma
Seja coerente
O mundo te estende às mãos
Queremos ver te regressar
Nós precisamos
Queremos abrir juntos
O uísque da vitoria
Estourar um champanhe
Embriagar de felicidade
Sabendo que somos
Os senhores de nós mesmos
A nossa propriedade
O nosso direito
O nosso medo e nossa coragem
Só Deus pode nos fazer parar
Com correntes arrebentadas
E corações arrebatados
Meu parceiro meu irmão
Eu não sou escravo
Eu não sou servo
Luto nas cruzadas
Corto cabeças
Mato dragões
E tenho historias pra contar
E você o que tem a me dizer ?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Por uns instantes

Hoje eu queria escrever uma musica
Antes de começar tudo novamente
Antes de voltar a ser eu mesmo
Queria guardar por uns instantes
Impressões de um sonho

Eu que poderia ser tudo
Que me permiti o mundo
Acreditei no impossível
Acabei voltando a realidades tangíveis

É só o que se pode alcançar
É só no que se pode acreditar

Quem idealiza o improvável
E caminha nas estrelas
Quem discorre sobre a beleza
E enxerga flores no lixo

Não vejo nada
Minha cidade é justa
Meus medos são comuns
Eu sou medíocre
Meu voto é democrático
Eu não sonho
Não vou alem de nada
Leviano e superficial
Repeti textos do jornal

Mas hoje eu queria escrever uma musica
Queria sentir uma indignação latente
E um pouco de amor quem sabe
Que não seja egoísta
Só hoje...
Só por uns instantes!

Minha missão

Posso ver minhas fotos
Sempre rindo
Com amigos do lado
Mulheres lindas
Mulheres inteligentes
Amigos confiáveis
É o que eu tenho
É o que eu sempre tive
Uma família pequena
Uma família coesa
Pais que são amigos
Um irmão sócio
É o que eu tenho
É o sonho de muita gente
Talvez por isso
Não tenha me exteriorizado no luxo
Nas coisas
Nos desejos efêmeros
Que Deus me perdoe
Quando reclamo
Quando sou ingrato
Quando a ambição
Ultrapassa as barreiras do comum
Eu que sou humano
Erro também
Erro demais
Eu que tenho tanta sorte
Não deveria errar
Eu que nasci abençoado
Tenho dever de pensar menos em me fazer
Pois que já nasci feito
E ajudar quem nasceu no chão
Eu que vejo tudo
Do altar de meus sorrisos
Da confiança de meus escudeiros
Não posso chamar ninguém covarde
Eu que não sei o que é estar sozinho
Que fui encorajado desde sempre
Treinado pra vencer
Não conheci a traição
Não senti a miséria
Que outros se decidam por serem juízes
Meu julgamento compreende minha alma
Minha missão é estender as mãos
A quem me pedir ajuda
A quem solicitar o perdão
Eu que sempre fui o primeiro
Acredito em segundas chances!

Outro começo de noite

Outro começo de noite