segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

ponteiro

Esse é o meu tempo
e assim vai ser
esse é meu ferimento
e não se cura assim
vou armando minha subida após ua queda
mas lembro o que me fez cair
esse é meu tempo
e não dá pra esquecer
agora rápido outrora parado
Essa é a cicatriz que ficou
não se fecha
leve tudo daqui
não deixe nada que me faça lembrar
eu posso querer voltar
esse é meu tempo
de se levantar
caminhar pra frente
essa ferida se cura nas volta do ponteiro
se voltar o sino
vai ser pra pegar de volta
pra sentir mais uma vez
uma única que seja
os relógios parados
ali naquele dia
que acreditamos ser tudo infinito e eterno
mas agora
eu só preciso do que com o tempo acaba
como tudo que me cerca

A língua universal

Eu te ouvi falando
Vi na sua face
Um sorriso diferente
A língua universal
Nem podia imaginar
Meus olhos saltavam fora
Eu caia por dentro
O mundo parou pra te escutar
Você já estava cantando
E nem podia imaginar
Eu te ouvi cantando
E agora não a nada mais
As ondas da sua voz me atravessaram
E agora é tudo o que há
E toda vez que fizer silencio vou escutar
Agora é tudo o que há
O som completou todos os espaços
E tudo começa e acaba em música agora
Você estava cantando
E nem podia imaginar

Cada pequena coisa

Cada pequena coisa no meu caminho
É tão importante
Faz parte de um todo
Sigo sem saber bem ao certo o que fazer
O certo é fazer
Seguindo parte a parte
E não importa
Não importa aonde chegar
O melhor está no caminho

Cada pequena coisa
Ontem mesmo eu vi
Ontem mesmo eu senti
Ontem mesmo eu ouvi
Era surreal e vai viver pra sempre
Eu quero acreditar
Esperar a chuva acabar,
Quando ela cai forte
Ela corre e corre e tenta se proteger
Escorrega na água e cai de cara
Nem viu que eu estava aqui olhando,

Passam carros que não param
Passam aviões de longe
Eles cortam o tempo
Eles atingem seu ápice
Eu vou vendo cada pequena coisa.

Onde vamos acabar?
Onde essa estrada vai dar?
Não se preocupe em perguntar.

Aproveitar a estrada
Cada perfume
Cada metro
Cada animal grande e inseto
Somos diferentes
Eles acenam quando passo.

Cada parte se completa
E vai acontecendo
Bem do jeito que nem se podia imaginar
Onde vamos chegar
É a estrada
Ela não parece querer acabar

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Volta pra casa

Amor eu estou fazendo as minhas malas
eu ouvi dizer que esta chovendo por ai
foram seis meses difíceis aqui
mas eu estou indo embora
sabe eu até vou sentir saudades
conheci muita gente e fiz amigos
mas sabe meu amor,
quero voltar pra onde não deveria ter saído
sei que as coisas não são fáceis
mas eu sinto falta de você aqui
amanha mesmo eu pego a estrada
aquela mesma que peguei tantas vezes
nem acredito que nasci aqui
quando volto sempre estou indo pra casa
e mesmo quando chego, e ela esta vazia
sei que estava me esperando
a brisa ai é mais humida
não que eu não goste daqui
mas cada um tem seu lugar,
eu não quis te trazer pra cá
fiquei com medo de você gostar
aqui as ondas não batem
o vento não me sopra conselhos
e não adianta
chegou a hora de ir embora
quero sentir os seus cabelos
a chuva o ano inteiro
sentir a areia
cada pequena coisa que faz tanta falta
seus olhos verdes na foto não são tão verdes
seu sorriso aqui não brilha
e espero que o povo daqui não fique ressentido
não quero ser o filho ingrato
mas já dei meu ultimato
vou atrás do que me é natural
onde corpo e alma se adaptaram
onde eu encontrei a peça chave de tudo
enfim entendi o sentido de plenitude
é meu amor
essas são minhas últimas palavras
estou indo pegar a estrada.

Um novo sol

Bate um vento frio aqui dentro
um vento gelado de profunda agonia
um êxtase de tristeza e desespero
quando se olha pra fora e não se vê lugar algum
quando a esperança se sustenta no vazio
não ver lugar algum
não ter saida e aguentar firme
essa é a hora difícil
hora de medir os pesos
hora em que por pouco não se entrega os pontos
não entregar os pontos
a maior das resistências
nunca se sabe a profundeza do abismo
o medo e a esperança me deixam aqui encima
somos movidos por esperança e medo
medo de dizer o que realmente queremos
medo de largar o que não queremos
medo de ter o que queremos
medo de passar fome
medo do que vão dizer
esperança..
esperança de continuar e dar a volta por cima
esperança de não precisar ter mais medo
esperança de liberdade
e acaba que entregamos a vida
entregando tudo ao dinheiro
entregando tudo aos diplomas
entregando a vida a quem não queríamos dar uma moeda
engolindo secamente dia após dia
aguentando firmemente e dando o melhor
isso é profissionalismo
e na maioria dos dias
vivendo a ilusão necessária de felicidade
achando tudo normal
e escondendo bem fundo o instinto de contestação
a alma escorrendo pouco a pouco
e em um dia ou outro
como hoje
o coração explode e resolve falar
mostrando que ainda existe alguem la dentro
e se alguem ler esse texto
eu peço que reconsidere
e pense no eu lírico
e nas inverdades e verdades maquiadas aqui escritas
porque amanha será um novo sol
e com esse tipo de ilusão
continuo meu caminho dia após dia

sábado, 31 de janeiro de 2009

Quando se quer destruir

Nada dura tanto
que não se acaba
quando se quer destruir
quando se quer contar
nada é tão grande
que não caiba
no universo do esquecimento
dias são eternos
dias duram 24 horas
nada mais nada menos..
momentos são eternos
quantos segundos ?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Os motoqueiros e os motociclistas

Uma vez ouvi uma historia
De homens em motos grandes
Que não gostavam ser chamados motoqueiros
Eles tinham alias seu sangue azul
Não queriam ser como nós
Então fiz essa canção
Um rap ou qualquer coisa
Chamem como quiser
Pois somos homens comuns
E não sabemos titular nada
Então começa aqui minha ode
Aos que são diferentes..

Dizem que tem diferença
que não é a mesma coisa
acelerando do mesmo jeito
motoqueiros mais loucos e imprudentes
ariscamos quebrar nossos dentes
nossas entregas já saem com prazo vencido
nossos pneus já carecas
tomadas de curva..
que com o dobro do motor outros não fariam,
aceleramos e passamos entre os carros
contra todas as leis

Devagar em seus super motores
vocês são motociclistas
nós somos motoqueiros
andamos o dia inteiro
nós somos motoqueiros
a imprudência em si,
nós somos motoqueiros
e não gostamos de policiais
e se vocês querem se dizer diferentes
muito nós alegra
nós que somos verdadeiramente irreverentes

Eu não brinco
pego chuva e não tenho opção
não gosto de caveira ou de barba mal feita
eu vos digo meus amigos..
se existem motociclistas
se existem talentos para correr por esse país
eles não estão andando na linha
estão no transito
nos sinais
rápidos para não perderem suas entregas

suas motos ruidosas só fazem barulho
nós sabemos usar bem o que temos
mas deixo a vocês bom samaritanos
cidadões de bem
cordeiros disfarçados de lobos
a lembrança de que bom motociclista..
é aquele que realmente manda bem
que talento não é vendido pra ninguém
e não se acha em uma botique escrota
nem se esconde em jaquetas pretas e tatuagens

domingo, 25 de janeiro de 2009

Fantasma

Ele apaga seus rastros
ele deixa seus amores
ele esconde suas dores
ele não tem identidade nem nunca terá
é um fantasma em cada esquina
é um estranho em cada cidade
tudo o que seus olhos viram
todo o caminho que seus pés fizeram
toda fome que o estomago aguentou
os ritmos que o ouvido escutou
algum dia ele foi de algum lugar
nem se lembra de onde
todos os lugares são seus agora
toda cultura é sua
todo tempo é seu
ele não tem nada
engolindo seco a solidão constante
é o fantasma
que tem amigos em cada lugar
é o fantasma
que se vê uma vez só
é o dono do mundo
andarilho do universo
é o dono do mundo
caminha pelas estrelas
com historias inesperadas de toda sorte
com bagagem sobre o pescoço
poucas malas na mão
está indo embora
chegou a hora
dizemos que nós veremos novamente
não sei quem engana quem
mas ele sabe bem se despedir
e então o fantasma segue
no caminho do vento
não vê futuro a longo tempo
é o próximo passo
é cada momento.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Final de tarde

Foi um final de tarde daquele jeito
nao sei como descrever
foi um final de tarde daquele jeito
que remonta um passado
foi um final de tarde que é feliz por ser
são dias normais
de tão normais são diferentes
como era bom aquele tempo intransigente
sabiamos que eramos tudo
erramos os bons e assim viviámos
hoje nem sei o que somos
nem temos tempo para pensar nisso
hoje somos malucos recatados nas ruas
escondendo nossa loucura
procurando parecer com qualquer coisa
que nem sabemos bem o que é
a fim de ser um cidadão de bem
aquele
daquele tipo propaganda de margarina
politacemente correto
é..
estamos enlouquecendo
precisámos de mais tardes assim

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Rasgando palavras

Escrevo pra passar o tempo
sem fundamento
escrevo pra enganar o tempo
engano o que penso
engano quem lê
escrevo por escrever
as vezes sobre mim
as vezes sobre nada
alguma coisa inesperada
escrevo por escrever
besteiras sem ter o que fazer
penso que escrevo pra ninguém ler
e se alguem ver e não entender
se me perguntar
mesmo assim nunca vai saber
hoje sou eu amanha serei você
serei aquilo que me falta hoje
serei contradição
talvez escreva em vão
colocando rimas sem função
uma função em vão
sem coordenação
eu vou pelo instinto
eu faço amarras as vezes não tão seguras
e assim vou tecendo
minha rede de mentiras
minha teia toda minha
que há muito não me interessa
nesse eterno jogo de dissimular
rasgando palavras
em labirintos com idéias loucas.

Outro começo de noite

Outro começo de noite