sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mais do que está dado!

Eii, o que preciso te dizer

São tantas coisas

E é tão simples

Tão suave

E nada inovador

Mas mesmo assim não é fácil

Há sempre um pouco de medo

Então vou voltar ao inicio

É que ontem fui para casa

Lá vi o céu

As estrelas aparecem todas de noite

Indicando as distâncias

Aproximando as regiões

Como há mil anos

Sai descalço pela pastagem

Procurei as três Marias

Andei muito e não encontrei

Queria te provar que estavam ali

Foi a melhor coisa que fiz

Você não conseguia vê-las

Não vi também

Talvez não quisessem ser encontradas

Mas é o percurso que faz a descoberta

Nesse dia eu era a plenitude

Descobri os sentidos

Eu era o próprio vento

Podia sentir o corpo balançar leve no universo

Os feixes de luz na escuridão

O brilho do seu sorriso

Como há mil anos

O cruzeiro do sul

Fácil de achar

Mostrou-me o caminho

Algumas coisas são obvias e tão completas

Outras complicadas e tão distantes

É isso, é só isso!

Abstrato demais

Desculpe

Mas vim de um lugar

Em que homens não sabem falar certas coisas

Perco sempre o jeito de dizer

Sou o instinto puro

Fiz esse poema para que possa compreender

Rodando em círculos sem forma

Escutando uma musica

O cantor diz “ninguém disse que seria fácil”

E depois “vamos voltar ao inicio”

É o cientista que pede desculpas

Que não explica o universo

É grande e tão completo

Não há palavras

Mas vamos voltar ao inicio

Quem sabe eu consiga te explicar

Como um meteoro

Que por um segundo

Atravessa a posição estática dos astros

Conseguindo mostrar mais

Do que já esta dado

Meu vicio

Eu desperdiço meu tempo

São meus poemas

Eu me dedico tanto

São meus poemas

Minha diversão

Para que algum dia

Alguém diga deles que são tolos

Bobos e rasteiros

Mas é minha felicidade

Ligar palavras e construir sentidos

São meus poemas

A razão dos meus dias

O que não me faz pirar

São minhas palavras

Com quem converso

Com quem extravaso

Minha excentricidade

O tempo precioso

Jogado no ventilador

Das provas e do glamour

Que podem me trazer o luxo

Mas minha mania é um vicio

É uma terapia

Que eu consiga...

Conciliar o sentido

Dos meus dias rotineiros

Com poemas inéditos

Que falam sempre do mesmo

De um tempo

Posso falar de um tempo

Lado a lado

Quando bastávamos a nós mesmos

Posso falar de um tempo

De poucas pretensões

Nós podíamos mudar o mundo

Era só o que sabíamos

Que estávamos juntos e nada mais

Nossas noites não ficavam nubladas

Podia ver seus olhos brilharem

Ouvindo musicas inéditas

Era sempre o melhor som de nossas vidas

Sorrisos fáceis de sinceridade

Tínhamos no peito certa confiança

De que nada poderia nos abalar

Éramos dois em um só

E onde quer que me procurassem

Podiam te achar

Riamos juntos de amigos em comum

Você me criticava e desmentia

Eu Achava engraçado

Hoje nós não nos reconhecemos mais

Algo mudou

Deve ter sido o tempo que não parou

Não percebemos

Mas o que era eterno não se consolidou

quinta-feira, 27 de maio de 2010

É o que fica

Perdendo meu tempo

É o que fica

De uma vertigem incompleta

Esperei e acreditei

Que tudo se bastaria

Mas sempre é preciso mais

Mais é mais

De corpos e mentes cansadas

Que já não se agüentavam

Mas o tempo acabou

E a ampulheta não vira novamente

A areia se dispersou

Perdi meu passado

Não foram bons dias

As noites não chegavam

O sol cegava os olhos

Havia uma promessa

Mas nada se cumpriu

Talvez pudesse ser alguém

Mas a porta não se abria

Ela nunca abrirá

É o que sumiu no espaço

De um trabalho sem razão

E o que se construiu nos anos

Como os espasmos de uma ilusão

Textos inspirados

Posso construir textos inspirados

Montar palavras em uma frase

Falar de coisas que não sei

Projetar idéias impossíveis

Idealizar amores banais

Ironizar o que há de mais nobre

Enaltecer sentimentos pobres

Do que adianta

Se da minha boca não sai nada

Se o que penso se atrapalha no caminho

E tropeça em expressões desajeitadas

Anseio por ser comum

Por não ser mais que sentimentos contidos

Mas nada acontece como o planejado

E no final dá tudo sempre errado

Às vezes o fim não chegou

Espero estar muito longe de acabar

Há ainda muito que trilhar

Enquanto isso escondo minha face

Para que ninguém se assuste

Eu sou a falta de lógica

A inconstância

A coragem do que é palpável

E o medo do inatingível

Enfrento dragões

Mas nego ate o fim

Qualquer sentimento que emana de mim

Quanto podem dar te!

Quanto podem dar-te

O que podem fazer por você

Quais suas necessidades

Quais os seus medos

Quem poderá te proteger

Qual a melhor opção

A pessoa mais inteligente

A mais bonita

A mais poderosa

Qual o seu meio

O que mais importa

O que você não tem

O que você precisa

É um pacto

Uma troca

Não se engane

O amor se chama utilidade

Vaidade

Virilidade

Disponibilidade

Para suprir sentimentos banais

Não gostamos de ninguém

Temos uns ao outros

Só isso, é a posse!

O desejo saciado

Nada que fica

É a luta pela existência

Pela continuação de sua prole

Pela escravização das outras

E tudo se oculta

Sobre mantos modernos

Da proteção de direitos

Fundamentados na originária desigualdade

Tudo se desculpa

Na sombra da segurança

De que são os outros os nossos temores

A escoria do sentimento humano

Que não deixou de ser só carne

Que não deixou de se perfumar com sangue

Quanto sangue custa um carro

Uma casa, um castelo

Batalhas vencidas

Em uma história que não se fez por braços

Que não se fez por soldados, operários ou lavradores

Uma historia que se fez

Por vencedores e vencidos

Por dinheiro e propriedade

Grandes heróis

César, Carlos Magno, Ricardo coração de leão

Feras arrebatadoras

Quem diz

Quem diz que sou bom

É medíocre

Eu que não falo a verdade

Que escondo minha face

Eu que sei da desigualdade

Que não participo da revolução

Quem me diz que sou bom

É porque quer a mentira

Quer partilhar do medo e da omissão

Abaixando a cabeça

A toda rebeldia hipócrita

Não, não sou bom

Bom é quem pega nas armas

Bom é quem morre na luta

Quem vai ao campo

Quem assume a revolta

Quem não teme a verdade

Esse pensa

Esse tem um grande coração

É o terrorista

É o vírus do sistema

Esse de quem ninguém corta as asas

Nunca será um cativo

Eu sou o bom escravo

Permaneço no meu lugar

Finjo não ver nada

Não acredito no homem

Não vejo mudança

Sou o bom

O bom conservador

Revestido na roupagem da caridade

Não me diga que tenho moral

Dane se a moral, queria ter ética

Por favor, feche a boca

Não diga besteiras

Que ferem meu ego

Que me enchem de vergonha

Eu que não me movo

Que não tenho fé na mudança

Meus olhos não brilham

Eu sou uma farsa!

Vou voltar

Meus olhos

Tão cansados disso aqui

Querem aquele outro lugar

Meus pés

Sempre com meias

Querem aquele outro lugar

Meu cabelo

Tão cheio de química

Quer sentir o sal

Lá, há dois mil km daqui!

Onde eu possa andar

E sentir a areia molhada

Onde não existam luzes

Onde apareçam constelações

Onde meu corpo possa doer

Em um cansaço feliz

Sentindo cada onda se quebrar

Vendo o tempo passar

Minha alma não agüenta

Não consegue

Não se adapta

Não nasceu aqui

Ninguém entende

Ela nunca foi de lá

Mas nunca foi daqui

Não sei explicar

É a batida que faz vibrar

Ela vive da memória de sensações

Nós viemos da água

Eu e minha inseparável aura

Tentei reparti lá

Mas já não é possível

Eu vim da água

E pra lá vou voltar!

Não há razão que faça ficar.

sábado, 15 de maio de 2010

Acho que nem sou daqui

Acho que nem sou daqui ..

Algumas vezes eu penso
Que não faço parte disso
Algumas vezes eu vejo
Caírem grandes promessas
Que não fiz

É difícil acreditar
Que não há nada além
Que se está sozinho
Mas não há lugar para ficar
É um outro caminho

E não há nada á sentir
Esperando apenas
Qualquer coisa
Que faça acreditar

Vendo uma cidade
Escondida em becos
Algo diferente acontece
E a realidade vive
Entre grandes aspirações
Nada que eu queira
Ou siga

Algo controla
Pensamentos estranhos
Que se ocultam
Em desesperada harmonia
Gritos baixos
Não mostram descontentamento
E seguem em objetivos
Que não são seus

Algumas vezes eu penso
Que não faço parte disso
Algumas vezes eu vejo
Que nem sou daqui
Mas é por muito pouco tempo
Pra que a ordem do momento
Não se altere
Espalhando então
Verdades em um ventilador

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Com os pés atentos

Se te disser um dia
Que vou mostrar meu espírito
E te contar coisas de um outro mundo
Cuidado você pode me assustar
Se encontrar portas trancadas
Fechadas em mistérios simples
Quebráveis como vidro
Pise com os pés atentos
Para que nada desmorone
É tudo o que tenho
É tudo o que posso dar
Posso não te agradar
Pode não ser muita coisa
São papeis e mais papeis
Envolvidos cuidadosamente
Em embalagens de sonhos bobos
De uma realidade distante
Talvez você não entenda
Talvez não possa enxergar
Sou o caminhante de outras terras
Minhas pegadas não marcam esse chão
É tudo o que tenho
Pontos de restauração
É tudo o que eu tenho
Meus poemas e pensamentos

Outro começo de noite

Outro começo de noite