quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quem diz

Quem diz que sou bom

É medíocre

Eu que não falo a verdade

Que escondo minha face

Eu que sei da desigualdade

Que não participo da revolução

Quem me diz que sou bom

É porque quer a mentira

Quer partilhar do medo e da omissão

Abaixando a cabeça

A toda rebeldia hipócrita

Não, não sou bom

Bom é quem pega nas armas

Bom é quem morre na luta

Quem vai ao campo

Quem assume a revolta

Quem não teme a verdade

Esse pensa

Esse tem um grande coração

É o terrorista

É o vírus do sistema

Esse de quem ninguém corta as asas

Nunca será um cativo

Eu sou o bom escravo

Permaneço no meu lugar

Finjo não ver nada

Não acredito no homem

Não vejo mudança

Sou o bom

O bom conservador

Revestido na roupagem da caridade

Não me diga que tenho moral

Dane se a moral, queria ter ética

Por favor, feche a boca

Não diga besteiras

Que ferem meu ego

Que me enchem de vergonha

Eu que não me movo

Que não tenho fé na mudança

Meus olhos não brilham

Eu sou uma farsa!

Vou voltar

Meus olhos

Tão cansados disso aqui

Querem aquele outro lugar

Meus pés

Sempre com meias

Querem aquele outro lugar

Meu cabelo

Tão cheio de química

Quer sentir o sal

Lá, há dois mil km daqui!

Onde eu possa andar

E sentir a areia molhada

Onde não existam luzes

Onde apareçam constelações

Onde meu corpo possa doer

Em um cansaço feliz

Sentindo cada onda se quebrar

Vendo o tempo passar

Minha alma não agüenta

Não consegue

Não se adapta

Não nasceu aqui

Ninguém entende

Ela nunca foi de lá

Mas nunca foi daqui

Não sei explicar

É a batida que faz vibrar

Ela vive da memória de sensações

Nós viemos da água

Eu e minha inseparável aura

Tentei reparti lá

Mas já não é possível

Eu vim da água

E pra lá vou voltar!

Não há razão que faça ficar.

sábado, 15 de maio de 2010

Acho que nem sou daqui

Acho que nem sou daqui ..

Algumas vezes eu penso
Que não faço parte disso
Algumas vezes eu vejo
Caírem grandes promessas
Que não fiz

É difícil acreditar
Que não há nada além
Que se está sozinho
Mas não há lugar para ficar
É um outro caminho

E não há nada á sentir
Esperando apenas
Qualquer coisa
Que faça acreditar

Vendo uma cidade
Escondida em becos
Algo diferente acontece
E a realidade vive
Entre grandes aspirações
Nada que eu queira
Ou siga

Algo controla
Pensamentos estranhos
Que se ocultam
Em desesperada harmonia
Gritos baixos
Não mostram descontentamento
E seguem em objetivos
Que não são seus

Algumas vezes eu penso
Que não faço parte disso
Algumas vezes eu vejo
Que nem sou daqui
Mas é por muito pouco tempo
Pra que a ordem do momento
Não se altere
Espalhando então
Verdades em um ventilador

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Com os pés atentos

Se te disser um dia
Que vou mostrar meu espírito
E te contar coisas de um outro mundo
Cuidado você pode me assustar
Se encontrar portas trancadas
Fechadas em mistérios simples
Quebráveis como vidro
Pise com os pés atentos
Para que nada desmorone
É tudo o que tenho
É tudo o que posso dar
Posso não te agradar
Pode não ser muita coisa
São papeis e mais papeis
Envolvidos cuidadosamente
Em embalagens de sonhos bobos
De uma realidade distante
Talvez você não entenda
Talvez não possa enxergar
Sou o caminhante de outras terras
Minhas pegadas não marcam esse chão
É tudo o que tenho
Pontos de restauração
É tudo o que eu tenho
Meus poemas e pensamentos

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Aos pássaros

Preciso pedir aos pássaros

Uma canção nova pra cantar

Não há nada que faça parar

Ela não é qualquer uma

É só o que eu sei

É só o que quero escutar

Quando vai chegar

Não se parece com ninguém

Não tenho nada para dar

Simplesmente sabe

Que eu a quero

Que ela nunca morrerá

Não é qualquer uma

Não se traduz em palavras

Os pássaros estão ensinando

Para que eu possa cantar uma canção

Que seja o canto de entrada das manhas

Ou o sinal das revoadas

É só o que há

É só o que eu sei

O que posso dar

O braço a torcer

Procuro uma musica

Que me possa fazer sintonizar

Procuro uma vida

Que me possa fazer queimar

Em um sopro de calor

Que não se apaga

Procuro amigos

Que não possam me escutar

Sabendo que só preciso esquecer

E continuar

Não sabemos de verdades

Procuramos instantes

Que não se traduzem em formulas

Uma musica

Sintonizada na freqüência

De uma viagem

Na infinita reta enfurecida

Eu sou o trovão

Procuro entorpecentes

Que não sejam drogas

Pois é preciso acordar

Sem que nada tenha ficado

Efeitos que passam

Verdades que voltam

Afundo nas partes distantes

De uma mente que visitou lugares

É preciso estar vivo

Sem saber o sentido

É preciso sonhar e ter esperança

Pois o herói

Sempre vai continuar

Seu braço é o mais forte

Porque ele nunca o dá a torcer

Desaprendo a contar

Desaprendo a contar

Não sou bom com números

Mas sei das lembranças que ficam

Que não morrem nos dias

São recortes em minha mente

Como se anos passados fossem minutos

E minutos recentes fossem décadas

Como se tudo estivesse sempre ali

Só á espera

De algo que já tínhamos visto

E não sabíamos o que era

Não sei de absolutamente nada

Mas a falta que você me faz

Me diz muito sobre o inexplicável

E pouco sobre o que se pode explicar

Eu não sei ainda

O que é certo ou errado

O que deveria ser feito

Te vejo e fico feliz

E o mundo é isso

Só isso...

E todo o resto...

vaidade

Mais que uma canção

Queria que ficasse mais

Que uma canção bonita

E a saudade

De um tempo que não volta

Mais do que a lembrança

De dias que acabaram

Queria acabar meus dias

No tempo que se foi

Queria não ter

Virado a esquina errada

Nem ter trazido comigo

Anotações de outra época

De ventos que já não batem mais

Voltei em casa

Tudo tinha mudado

Não fui reconhecido

Mas guardo a memória dos sons

Das tardes que chegavam devagar

De corrermos descalços nas ruas

Com ou sem asfalto

Um outro tempo

Consumido por fantasmas infelizes

Dispersos em desejos banais

Que venderam suas almas

Em troca de perder a eternidade

E se condenar ao material

São canções

Que não deveria ter trazido

Atormentando lembranças

Reconstruindo sonhos

De uma época

Em que eu consumia os minutos

E tudo o que me cercava

Como parte de algo

Que respirava sozinho

Os segundos me consomem agora

Sou o pedaço de um plástico

Que a terra expulsa

Não se recordam

E nem eu sei

Qual foi a esquina errada

Mas ainda guardo

Uma última canção

Para não dizerem

Que tudo se perdeu

Que já nada me pertence

Pois sou ainda

Como o pó dessas estradas

Anjo decaido

Digo obrigado pelo sol

E o vento na cortina

Ao cruzeiro do sul

E tudo que é intocável

Quando sinto me perdido

E é só uma fantasia

Estando escondido

Em emoções de cera

Que se derretem em lagrimas

Sou a armadura da vela

Agradeço o que há de simples

Não havendo alternativa

Sou o anjo decaído

Que sentiu o amor

E não se foi

Ficou entre ilusões e segredos

Tornou se humano

Em um espírito que não se contem

Contemplo o que há de celeste

Tento aprender a viver

O que há de vil

Afim de que os dias

Sejam mais que meras ilustrações

Em desenhos de cera

De uma vela que não se queimou

Não enlouqueça

Sou covarde

Trago uma luz

Que fere convicções

Desmontando castelos

Duros como concreto

Trago sonhos

Na contra corrente do mundo

Você não consegue voltar

E isso me preocupa

A verdade não pode ser vivida

Nem tão pouco nossos desejos

Não trouxe minhas ilusões

Nem meu sono profundo

É o que me faz viver

Você precisa aprender

Te vejo em uma tristeza

Após os livros que passei

Eram outros homens

Que enlouqueceram no final

É o que fica companheiro

É o que fica...

Nada há que possamos fazer

Nossas vidas entrelaçam nos espinhos

É a historia dos homens

Nascemos todos condenados

Não pense que a luz é resposta

É preciso saber meu amigo

Mas não enlouqueça

Por Deus não enlouqueça

Somos poucos

Precisamos um do outro

Outro começo de noite

Outro começo de noite